domingo, 5 de julho de 2009

Sarau

Sentada no parque, com o vento que assoprava o meu corpo inerte, e eriçava meus pelos, eu observava. Observava as crianças brincando, desmanchavam-se oras em sorrisos, oras em choro. Eu via as folhas reagirem ao leve vento que por elas passavam, vi a água seguir seu curso. Vi pessoas se movimentando, algumas com placas quem soaram como apelo para uma aproximação humanitária, as placas 'abraço grátis' era uma prova de que os humanos estão se distanciando. Mas, deixei que esse pensamento passasse. E fui observando, a natureza humana. Algumas pessoas se mostrando tão espontâneas, tão destinadas a se divertirem, seja com a mais simples das coisas. Outras se mostraram tão aversas à alegria. Destinadas a ficarem ali, com a pior das feições, sem permitir que a alegria chegasse, sem que vivesse. Ao meu redor, estavam pessoas que irradiavam alegria, trasmitiam paz, e desejavam trasmitir à todos a sua ideologia. Enquanto isso, eu estava ali, em meu canto, apenas observando. Sem me permtir brincar, sem me permitir entristecer. Eu apenas observava com os olhos admirados, por saber que ainda haviam pessoas que prezavam o convívio social, que tinham esperanças, e alegrias dentro de si. Estavam ali, enfrentando o mostro da timidez, recitando palavras que se formaram em momentos de expressos sentimentos, recitando suas poesias, ou até com um violão em suas mãos, cantando palavras que trasmitiam ideologia, sentimentos, e cultura. Um movimento cultural, que permitiam pessoas se comunicarem pessoalmente, quebrarem barreiras impostas pela humanidade. Viverem em fim. Eu vi os swings, movimentos ágeis e coloridos, que em contraste com a natureza se agitavam acompanhando o balanço dos braços de quem comandavam. Eu via sorrisos nascerem tão facilmente. Enquanto isso, eu estava lá inerte nesses pensamentos, presa ao meu mundo. Ainda me permito ousar. E farei melhor do que observar.

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