"caí no meu patético período de desligamento"
Caí mais uma vez nesses desligamentos, necessário e proposital desta vez. 4 meses me separam do meu projeto e sonho deste ano, 4 meses. "4 meses" é tudo que fico repetindo para me motivar. "4 meses" e então tudo acabará. Tentarei vir aqui, não com frequência, mas não me deixem. Sempre que palavras saltarem dos meus pensamentos, prometo escrever aqui. O tumblr será atualizado pelo queue, então se quiserem acompanhá-lo, é escassez. Me desejem sorte, apoio e que eu tenha determinação e persistência para conquistar meu sonho.
- P.
domingo, 31 de julho de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
E isto aqui não é uma carta para você.
E quando você disse "há tanto tempo que sonho com teu sorriso, menina", com teus olhos alinhados aos meus, acreditei que isso fosse uma promessa. Uma amostra grátis do teu amor e do teu sentimento que me doparia com doses cada vez mais exorbitantes por muitos e muitos anos, até eu me curar de mim. Pensava ter mais duração o efeito deste teu fármaco, mas no fim, bem no fim, como todo remédio, se em excesso, vira droga. Fostes esta droga, droga de mim, droga dentro de mim, droga de amor.
Há tempos vim ensaiando essa verdade que me tapa a boca, hoje por alguém motivo, decidi que talvez eu devesse ter coragem de te falar. Tenho guardado em uma papel rabiscado por outras coisas, e de forma codificada, cada data ou dia especial, mas por preguiça ou medo de retirá-lo da caixa de lembranças, decidi colocar de cabeça mesmo tudo que lembro. Não confie em nenhuma delas, como eu mesma não confio em você agora.
Estranha-me lembrar das nossa conversas, como vivo insistindo, nunca fui de prestar muita atenção ao que dizia, você falava muito. Mas, esforçando-me para lembrar, uma me veio como relâmpago na memória, bem espontânea. Foi um caso cotidiano, que envolvia uma amiga tua, um sobrenome, uma atendente e o nome da minha loja preferida. Não sei porque me lembrei justamente disto, talvez no dia não estivesse tentando gravar teu cheiro, ou roubar-lhe um beijo. Sempre fiquei meio alerta nos momentos em que passamos juntos. Acho que entrava no automático, vagamente consciente de que você falava, mas sei de cor todas as cores que compunham o reflexo do céu no teu olhar. Sei também o gosto do teu cheiro, e o perfume do teu beijo, então acho que isso serve de desculpa.
Para não se sentir ruim, vou citar algumas datas, para provar que às vezes eu prestava atenção. Lembro-me da conversa do dia 21/01, de uma lágrima solteira que me escorreu pelo olho esquerdo, e de tua mochila nas costas quando me abraçou na porta de casa. Lembro-me da madrugada de um mês para o outro, não sei se janeiro/fevereiro ou fevereiro/março, mas saí de casa em um dia e quando voltei tinha ganhado o primeiro beijo teu e era outro mês. Fostes uma desculpa tão ridícula que arranjastes para me seguir...Lembro-me do dia 18/03, eu, você, uma cadeira e um beijo quente. Dia 19/04, um passeio de carro sozinhos, última vez meu.. Daí, dia 21/04 fostes adeus. Mas, é claro que estamos falando de alguns anos atrás e nossa história não terminou há tanto tempo. Daí, me lembro do dia 12/06, uma surpresa, uma declaração, uma caminhada e muitas meninas me invejaram pelo que fizestes. 14/06, uma palco, uma plateia, uma conquista. 19/06, um banco, minha cabeça em teus ombros, tua blusa preta que até hoje invejo, e depois de tanto tempo e descasos nossos lábios se encontraram. Sem datas agoras, lembro de beijos encostados na parede, de beijo de chocolate e beijo de cabeça para baixo. Lembro de um tapa na tua cara, só pra te provocar, só para me puxar em um beijo mais quente. Lembro-me de ajoelhar aos teus pés, e mendigar por teus lábios, quanto tempo duravam aqueles nossos beijos? Lembro dos teus braços envoltos sobre mim, lembro de ter um sorriso teu no meu rosto, lembro de um beijo-sorriso. Lembro de uma tarde atoa, rolando no chão juntos, ultrapassando alguns limites, tornando nossos corpos íntimos.
Tem muitas outras conversas de corredores, de computador e trecho de músicas que poderia citar aqui. De filmes não visto, de risos esganiçados, de beijos, muitos beijos. Que boca boa tu tens. Que sabor bom, um beijo teu. Saudades de caminhar ao lado do teu allstar, saudade de me receberes na porta com um sorriso meio falho, e um 'e aí?' como cumprimento. Saudades dos nossos trocadilhos, das nossas poesias, conversas de dia a dia, beijos de bom dia. Saudade demais. Acho que fiquei com as saudades, tu ficastes com meu coração.
Mas vim enrolando até, excedendo nas palavras e detalhes, entregando-lhe memórias que poderás usar contra mim, só porque não queria chegar até aqui. Não quero mais me contorcer inteira na cama ao sonhar contigo, não quero passar o dia inteiro com teu gosto porque à noite me veio ao sonho, sorrateiro e bandido como sempre fez. Já não me caibo de saudades e lembranças tuas, e hoje é uma dessas datas nossas. Eu já não quero ter que caminhar fingindo por aí que teus passos não me fazem mais companhia. Não quero, tens me incomodado. Quanto tempo durou esta história mesmo? Não importa, tenho colocado reticências e prolongado este período por tempo demais.
A verdade é que tu nunca fostes tudo o que eu quis. Nem era quem me completava. Tu sempre esteves transbordando dentro de mim, me excedendo, me derramando. Sempre fostes de ideias leves, que qualquer vendaval poderia tirar da tua cabeça, enquanto outras pessoas lhe davam novas. Na verdade, tu roubava o jeito das pessoas. Tá aí, tu me roubastes. Então devolva-me agora, porque não vai continuar me arrastando pelo tempo assim. Tu esgotou minha capacidade de tolerar idiotas, ninguém é interessante quando comparo a ti, simplesmente porque ninguém é você. Vontade louca de te xingar na cara, gritar, te bater, para me controlar e me roubar um beijo.
Fiquei durante muito tempo pensando em te procurar, mas foi tu que me deixastes para trás, seguistes caminho e não sei aonde estás agora. Eu continuo aqui, com tudo o que foi nosso. Então sabes aonde me encontrar. Não quero viver para sempre com tua sombra em mim, nem queria viver sem ti, mas já me acostumei. Confesso que queria que voltasse, não sei se é para te deixar, ou deixá-lo ficar na minha vida. Acho que o deixaria ficar, não sei te dizer não.
Se prestastes atenção por tempo suficiente meus olhos me trairão e te contaram tudo, mas prometo fechá-los. Eu vim até aqui, neste texto enorme só para te dar preguiça de ler e não saber tudo que queria te dizer, mas eu queria mesmo te dizer que ainda gosto demais de você para gostar de mim. Ainda sinto uma saudade sufocante e dolorida do nosso tempo, de você. Mas, tudo o que eu queria dizer é que não quero mais sentir isso. Não quero viver pra sempre sufocada pela memória do que passamos, pela dor que vivi, pela minha covardia de nunca ter te procurado. Bem, eu não te quero mais. Não quero mais sentir amor nem saudade. Não quero. Queria dar um adeus, mas tenho medo de querer ficar. Fique bem, cuide de sua felicidade, e me deixe de uma vez. Me deixe ir e fazer o mesmo por mim.
E isto aqui, não é uma carta para você.
Há tempos vim ensaiando essa verdade que me tapa a boca, hoje por alguém motivo, decidi que talvez eu devesse ter coragem de te falar. Tenho guardado em uma papel rabiscado por outras coisas, e de forma codificada, cada data ou dia especial, mas por preguiça ou medo de retirá-lo da caixa de lembranças, decidi colocar de cabeça mesmo tudo que lembro. Não confie em nenhuma delas, como eu mesma não confio em você agora.
Estranha-me lembrar das nossa conversas, como vivo insistindo, nunca fui de prestar muita atenção ao que dizia, você falava muito. Mas, esforçando-me para lembrar, uma me veio como relâmpago na memória, bem espontânea. Foi um caso cotidiano, que envolvia uma amiga tua, um sobrenome, uma atendente e o nome da minha loja preferida. Não sei porque me lembrei justamente disto, talvez no dia não estivesse tentando gravar teu cheiro, ou roubar-lhe um beijo. Sempre fiquei meio alerta nos momentos em que passamos juntos. Acho que entrava no automático, vagamente consciente de que você falava, mas sei de cor todas as cores que compunham o reflexo do céu no teu olhar. Sei também o gosto do teu cheiro, e o perfume do teu beijo, então acho que isso serve de desculpa.
Para não se sentir ruim, vou citar algumas datas, para provar que às vezes eu prestava atenção. Lembro-me da conversa do dia 21/01, de uma lágrima solteira que me escorreu pelo olho esquerdo, e de tua mochila nas costas quando me abraçou na porta de casa. Lembro-me da madrugada de um mês para o outro, não sei se janeiro/fevereiro ou fevereiro/março, mas saí de casa em um dia e quando voltei tinha ganhado o primeiro beijo teu e era outro mês. Fostes uma desculpa tão ridícula que arranjastes para me seguir...Lembro-me do dia 18/03, eu, você, uma cadeira e um beijo quente. Dia 19/04, um passeio de carro sozinhos, última vez meu.. Daí, dia 21/04 fostes adeus. Mas, é claro que estamos falando de alguns anos atrás e nossa história não terminou há tanto tempo. Daí, me lembro do dia 12/06, uma surpresa, uma declaração, uma caminhada e muitas meninas me invejaram pelo que fizestes. 14/06, uma palco, uma plateia, uma conquista. 19/06, um banco, minha cabeça em teus ombros, tua blusa preta que até hoje invejo, e depois de tanto tempo e descasos nossos lábios se encontraram. Sem datas agoras, lembro de beijos encostados na parede, de beijo de chocolate e beijo de cabeça para baixo. Lembro de um tapa na tua cara, só pra te provocar, só para me puxar em um beijo mais quente. Lembro-me de ajoelhar aos teus pés, e mendigar por teus lábios, quanto tempo duravam aqueles nossos beijos? Lembro dos teus braços envoltos sobre mim, lembro de ter um sorriso teu no meu rosto, lembro de um beijo-sorriso. Lembro de uma tarde atoa, rolando no chão juntos, ultrapassando alguns limites, tornando nossos corpos íntimos.
Tem muitas outras conversas de corredores, de computador e trecho de músicas que poderia citar aqui. De filmes não visto, de risos esganiçados, de beijos, muitos beijos. Que boca boa tu tens. Que sabor bom, um beijo teu. Saudades de caminhar ao lado do teu allstar, saudade de me receberes na porta com um sorriso meio falho, e um 'e aí?' como cumprimento. Saudades dos nossos trocadilhos, das nossas poesias, conversas de dia a dia, beijos de bom dia. Saudade demais. Acho que fiquei com as saudades, tu ficastes com meu coração.
Mas vim enrolando até, excedendo nas palavras e detalhes, entregando-lhe memórias que poderás usar contra mim, só porque não queria chegar até aqui. Não quero mais me contorcer inteira na cama ao sonhar contigo, não quero passar o dia inteiro com teu gosto porque à noite me veio ao sonho, sorrateiro e bandido como sempre fez. Já não me caibo de saudades e lembranças tuas, e hoje é uma dessas datas nossas. Eu já não quero ter que caminhar fingindo por aí que teus passos não me fazem mais companhia. Não quero, tens me incomodado. Quanto tempo durou esta história mesmo? Não importa, tenho colocado reticências e prolongado este período por tempo demais.
A verdade é que tu nunca fostes tudo o que eu quis. Nem era quem me completava. Tu sempre esteves transbordando dentro de mim, me excedendo, me derramando. Sempre fostes de ideias leves, que qualquer vendaval poderia tirar da tua cabeça, enquanto outras pessoas lhe davam novas. Na verdade, tu roubava o jeito das pessoas. Tá aí, tu me roubastes. Então devolva-me agora, porque não vai continuar me arrastando pelo tempo assim. Tu esgotou minha capacidade de tolerar idiotas, ninguém é interessante quando comparo a ti, simplesmente porque ninguém é você. Vontade louca de te xingar na cara, gritar, te bater, para me controlar e me roubar um beijo.
Fiquei durante muito tempo pensando em te procurar, mas foi tu que me deixastes para trás, seguistes caminho e não sei aonde estás agora. Eu continuo aqui, com tudo o que foi nosso. Então sabes aonde me encontrar. Não quero viver para sempre com tua sombra em mim, nem queria viver sem ti, mas já me acostumei. Confesso que queria que voltasse, não sei se é para te deixar, ou deixá-lo ficar na minha vida. Acho que o deixaria ficar, não sei te dizer não.
Se prestastes atenção por tempo suficiente meus olhos me trairão e te contaram tudo, mas prometo fechá-los. Eu vim até aqui, neste texto enorme só para te dar preguiça de ler e não saber tudo que queria te dizer, mas eu queria mesmo te dizer que ainda gosto demais de você para gostar de mim. Ainda sinto uma saudade sufocante e dolorida do nosso tempo, de você. Mas, tudo o que eu queria dizer é que não quero mais sentir isso. Não quero viver pra sempre sufocada pela memória do que passamos, pela dor que vivi, pela minha covardia de nunca ter te procurado. Bem, eu não te quero mais. Não quero mais sentir amor nem saudade. Não quero. Queria dar um adeus, mas tenho medo de querer ficar. Fique bem, cuide de sua felicidade, e me deixe de uma vez. Me deixe ir e fazer o mesmo por mim.
E isto aqui, não é uma carta para você.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Para me definir.
Minha menina, não posso te deixares, és incompetente para cuidar se si mesma. Se não te lembro, tu simplesmente se esquece de comer. Se não anoto na tua agenda, perde teus compromissos. Não sabe nem mesmo andar sem cair. Tu é esse emaranhado de confusão e desastre, é esse conjunto de medo e segurança que me faz perder a cabeça. Eu sou perdido em você. Tu desafia a escuridão, mas sai correndo para a cama assim que apaga a luz. Cria teorias que te define só para contradizê-las. Arruma teu guarda-roupas porque diz que se ele está bagunçado a tua vida também fica assim, mas você é bagunça, aceite isso, menina. Se pinta de maquiagem, coloca salto alto, disfarça o decote, e depois brinca de ser menina. Você tem um coração e jeito de criança em um corpo de mulher com uma cabeça de uma idosa. Dorme de coberta no calor, mas joga-a no chão no inverno. Anda desfilando confiança porque sabe que vai cair, mas não temes a queda. Aceitaria brincar de roleta russa, mas morre de medo de escada rolante, quando confronto-a de o porquê responde com uma dar de ombros "escadas já são um desafio, em movimento então, são aterrorizantes, sempre tenho medo de pisar no início delas, me parece que vou pisar duas metades de degraus, então eles vão se abrir e eu vou cair". Você cuida de livros como se dentro deles batessem corações, chego a desconfiar que eles tem mais a tua atenção do que eu mesmo. Você se diz decidida, mas sempre pede dos dois sabores porque nunca sabe de qual gosta mais, temo que um dia tu conheças outro garoto e fique provando de nós dois. Você anda caindo, acertando os móveis, colidindo com chão e parede. Você nunca me escuta, por isso tô te escrevendo para que talvez tenha tua atenção. Você critica padrões, mas padroniza tudo que tem. Você tem essa mania de organização, de colocar tudo em certa lógica que ninguém entende. Mas, menina, tu és bagunça. Tu és caos. Por isso não te deixo, porque eu sei que não sabes cuidar de si. Tu cuidas de mim, dos teus amigos, tu te importas com a fome do mundo, com a miséria, mas ao final do dia esquece-se de si. Você me é mistério desvendado, mas nunca te conheço por completa. Mas, menina, eu vou ficar aqui, para te manter inteira e viva, vou ficar porque é incompetente demais para cuidares de ti, mas eu cuido, eu sou profissional em cuidar de ti.
Ass: Teu não mais menino.
Ass: Teu não mais menino.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Despedida
Eu não sentia esse desprezo todo por você, como você pensa. Mas a partir de uma época, não sei exatamente, comecei a sentir um desprezo enorme de nós dois, como um casal. Eu amava você, mas rejeitava o esquema "nós". Você sabe, casais felizes vivem ou de projeções ou de mentiras mútuas ou de condescendências, e não tínhamos uma coisa nem outra.
Quando vi, passei muito tempo sonhando com aquele cara que me apaixonei em princípio, e não enxerguei que estava convivendo com um protótipo, um fantasma, um resquício dele. Eu tinha uma ideia de amor não baseada na nossa realidade, e talvez tenha sido esse meu pecado. O seu foi apenas não me acompanhar, ter descido os pés no chão pouco após zarpar da viagem, não sei se me entende.
O caso é que passei tempos sendo generosa contigo. Generosa com os dias que você sufocava qualquer manifestação de romance, generosa nas vezes que você comentava do seu trabalho sem prazer nenhum, generosa quando você esquecia de bolar algo novo pra me tocar, generosa com suas décimas ligações no mesmo o dia, generosa te sugerindo formas de fazer as pazes comigo depois de alguma intempestividade, generosa com as vezes que você vinha da rua me trazendo nada, generosa com sua amargura.
Eu consertava tudo, e você só fazia deixar o mundo de ponta-cabeça. Então decidi que chegara a hora de atroz. Demorei, mas descobri que podia ser cruel, muito cruel. Simplesmente me vi exausta de tentar camuflar minhas expectativas. Ao mesmo tempo que odiei nós, desenvolvi um amor oceânico por todas essas emoções e sentimentos que nunca imaginei que poderia ter de volta. Me apeguei a isso. E foi aí que tudo que você achava saber sobre mim tropeçou e caiu feio.
Uma vez ameacei ir embora e tudo que você foi capaz de me dizer foi um "pode ir!" cheio de desprezo. E quer saber? Eu fui. O que eu queria? Apenas converter aquele "pode ir!" idiota, sabe? Eu testei você, e você caiu, trouxa. Medroso, covarde, cagão, não foi homem pra me procurar. Vai ver é por isso que resolvi tomar a iniciativa, como sempre. Para ao menos fingir que tivemos uma despedida.
Autor: Gabito Nunes.
Quando vi, passei muito tempo sonhando com aquele cara que me apaixonei em princípio, e não enxerguei que estava convivendo com um protótipo, um fantasma, um resquício dele. Eu tinha uma ideia de amor não baseada na nossa realidade, e talvez tenha sido esse meu pecado. O seu foi apenas não me acompanhar, ter descido os pés no chão pouco após zarpar da viagem, não sei se me entende.
O caso é que passei tempos sendo generosa contigo. Generosa com os dias que você sufocava qualquer manifestação de romance, generosa nas vezes que você comentava do seu trabalho sem prazer nenhum, generosa quando você esquecia de bolar algo novo pra me tocar, generosa com suas décimas ligações no mesmo o dia, generosa te sugerindo formas de fazer as pazes comigo depois de alguma intempestividade, generosa com as vezes que você vinha da rua me trazendo nada, generosa com sua amargura.
Eu consertava tudo, e você só fazia deixar o mundo de ponta-cabeça. Então decidi que chegara a hora de atroz. Demorei, mas descobri que podia ser cruel, muito cruel. Simplesmente me vi exausta de tentar camuflar minhas expectativas. Ao mesmo tempo que odiei nós, desenvolvi um amor oceânico por todas essas emoções e sentimentos que nunca imaginei que poderia ter de volta. Me apeguei a isso. E foi aí que tudo que você achava saber sobre mim tropeçou e caiu feio.
Uma vez ameacei ir embora e tudo que você foi capaz de me dizer foi um "pode ir!" cheio de desprezo. E quer saber? Eu fui. O que eu queria? Apenas converter aquele "pode ir!" idiota, sabe? Eu testei você, e você caiu, trouxa. Medroso, covarde, cagão, não foi homem pra me procurar. Vai ver é por isso que resolvi tomar a iniciativa, como sempre. Para ao menos fingir que tivemos uma despedida.
Autor: Gabito Nunes.
Nós sempre fomos essa história de amor nunca contada, talvez por isso que ela não tenha acontecido. Você é meio que inconstante e me custou muito te acompanhar por todo este tempo, eu não consigo, amor. Você me tem, me deixa, me pega, me beija, me leva, me esquece, e volta, e me abraça, e me devora, e implora, e me ganha, e me perde. Você é mesmo assim, essa confusão indescritível. Tome, este será teu rótulo agora: indescritível. Porque você é assim, amor, e não tô te julgando não. Agora, tu deveria tentar te arrumar um pouco, tu anda muito bagunçado. Eu sei que tu é indescritível, mas venha até mim, te deixe aqui comigo e verás que te decomponho em palavras. Porque você é desafio, mas eu gosto. Você é problema, e eu gosto. Eu gosto dessa ideia de me cansares, porque és tudo isso, tudo o que me cansa. E você sabe que não desisto de nada que me seja difícil. Venha até mim amor, que agora vou contar nossa história que é para ver se ela acontece.
domingo, 24 de julho de 2011
"Sonho parece verdade,
quando a gente esquece de acordar. "
Sei que lá fora pessoas sofrem de fome, pela guerra, pela ausência de paz. Sofrem por preconceitos, por fobias, por misérias, pela humanidade. Mas, partindo do meu egoísmo infinito, aqui dentro eu sofro por esta besteira de pensar em você. Como não me lembrar, se me vem aos sonhos, se os invade e me toma para si? Se nesta noite, branda e comum, você me veio numa mentira quase indiscutível de que talvez fosse verdade? Foi tão real, estar no nosso lugar, naquele degrau, onde me abraçou as pernas e apenas se repousou. Foi tão real quando passei a mão por teus cabelos, senti teu cheiro e te abracei pelas costas. Foi tão vívido que quando acordei acreditei que a realidade que era o sonho. Ah, como sonhos são mentiras! Porque que é que nos pede para persegui-los, acreditá-los, se são mentiras? Você esteve aqui, nestes braços que agora me envolvem por solidão. Ainda me questiono se foi uma lembrança ou sonho mesmo, foi tão verossímil. Quanta mentira em uma noite só. Quanta mentira minha vida inteira. Me olhastes nos olhos naquela ilusão de sonho, e agora eles insistem em te procurar, em querer ver-te. Acordei com teu gosto, com teu rosto, com você por inteiro em mim. Quanta maldade para quem quer esquecer, quanta verdade para alguém que se engana dizendo não pensar em você. Me faça o favor de não interromper meu esforço. Me faça o favor de não vir aos meus sonhos e me tirar a paz que só o sono tem. Se dormir era meu escape da agonia de ti, prefiro ficar acordada. Não quero ter que passar mais dias inteiros pensando em ti, duvidando de que talvez fosse real.
Sei que lá fora pessoas sofrem de fome, pela guerra, pela ausência de paz. Sofrem por preconceitos, por fobias, por misérias, pela humanidade. Mas, partindo do meu egoísmo infinito, aqui dentro eu sofro por esta besteira de pensar em você. Como não me lembrar, se me vem aos sonhos, se os invade e me toma para si? Se nesta noite, branda e comum, você me veio numa mentira quase indiscutível de que talvez fosse verdade? Foi tão real, estar no nosso lugar, naquele degrau, onde me abraçou as pernas e apenas se repousou. Foi tão real quando passei a mão por teus cabelos, senti teu cheiro e te abracei pelas costas. Foi tão vívido que quando acordei acreditei que a realidade que era o sonho. Ah, como sonhos são mentiras! Porque que é que nos pede para persegui-los, acreditá-los, se são mentiras? Você esteve aqui, nestes braços que agora me envolvem por solidão. Ainda me questiono se foi uma lembrança ou sonho mesmo, foi tão verossímil. Quanta mentira em uma noite só. Quanta mentira minha vida inteira. Me olhastes nos olhos naquela ilusão de sonho, e agora eles insistem em te procurar, em querer ver-te. Acordei com teu gosto, com teu rosto, com você por inteiro em mim. Quanta maldade para quem quer esquecer, quanta verdade para alguém que se engana dizendo não pensar em você. Me faça o favor de não interromper meu esforço. Me faça o favor de não vir aos meus sonhos e me tirar a paz que só o sono tem. Se dormir era meu escape da agonia de ti, prefiro ficar acordada. Não quero ter que passar mais dias inteiros pensando em ti, duvidando de que talvez fosse real.
sábado, 23 de julho de 2011
Uma questão de prefixo
Nestes (des)encontros da vida, nossa história foi apenas mais um desses (des)casos de amor. Uma dessas histórias que se encontra em qualquer mesa de bar ou numa tela de cinema. Sabíamos desde o princípio que este sentimento era (in)finito, mas insistimos. Juramos (in)fidelidade eterna, juramos sermos (in)felizes para sempre. Éramos (im)precisos, (in)constantes, inteiros. Éramos cheios de (in)certezas e isto nos era (in)suficiente. Acreditamos na (im)perfeição desta história, acreditamos na (im)possibilidade de que talvez fosse o certo. Estive (in)consciente de mim mesma. Somos (in)compatíveis, (in)igualáveis, (im)pacientes, (in)constantes, (im)precisos, (in)esquecíveis, (in)visíveis um ao outro. Somos nós, e isto é (in)igualável. Eu estou (des)pedindo para que talvez volte, talvez volte por estes (des)caminhos tão (des)contentes.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Todas as lágrimas que escorriam até que eu adormecesse ficaram guardados no travesseiro. Torci-o e enxuguei-o com bons sonhos e sorrisos, e guardei cada uma delas em uma frasco em cima da prateleira. Ele é frágil e suscetível à quedas como eu mesma o sou. Ao leve tocar do vento pode ir ao chão. Mas, sei que desta vez teu vento não há de vir por estes ares.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Me empresta teu peito, meu menino, que está dor não cabe mais só no meu. Me empresta também teu abraço, me envolva e afaste de mim esta sensação de vazio. Me traz outra dose deste teu amor, que o desafeto vem outra vez me devorando. Deveria estar saciada, mas este vazio é mais voraz que qualquer outra coisa que me habite. Este vazio me preenche, e se não tiver ninguém para me aplicar antídoto, eu me entrego, como a fraca que sou. Ainda bem que eu sempre caibo neste teu abraço, mesmo agora, me sentindo tão pequena, eu caibo neste espaço entre teus braços. Encaixo-me como nunca coube em nenhum outro lugar. Traga-me com teu corpo os anticorpos desta dor. Esta minha ferida está na carne viva, como sempre, só que desta vez tá sangrando mais. Ainda bem, meu menino, que você sabe tocá-las. Sabe tocá-las sem ser superficialmente, enfia teu dedo e fere ainda mais, arranca-me desta dormência que o vazio traz. Me traz dor que me traz de volta a superfície, que me lembra que sou viva, apesar de tudo, estou viva. Rompe com esta minha paz maquiada, este meu estado de não-existência. Ninguém mais sabe me juntar quando me torno pó diante água e vento, mas você o faz. Deixe-me te fazer de abrigo, meu menino, abriga-me com minha dores, meus medos, meus momentos de insanidade. Sinto que estou desmanchando, mas, meu menino, é em tuas mãos que o faço. Eu sinto que estou caindo, me dê seus pés para que eu caia sobre eles. Não sei se posso, meu menino, mas minha carne habituou-se à tua, então deixe-me habitar em ti, para que eu não pereça em qualquer lugar. Que minhas mãos envolva cada parte do teu corpo, para que eu tenha com o que preenchê-las, para que elas não me inflijam mais dor. Me faça derreter, porque tenho tornado este gelo de constante solidão. Solidão de mim mesma, de quem fui, de quem quero ser. Escancare tudo isto que tô ocultando, porque sabes que é isto que me entorpece, essa minha mania de esconder quem sou. Meu menino, eu só tô pedindo um pedaço do teu coração, para colocar no vazio do meu. Eu nunca soube ser suficiente, mas com você aqui, pelo menos eu não fico tão vazia.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Eu quero, amor.
Nesse nosso cotidiano, não quero que me traga flores perfumadas, quero que me traga teu cheiro. Não quero que me traga pão, quero que me traga teu bom dia. Não quero que me venha com o jornal matinal, quero teu sorriso. Não quero café, quero beijos, quero amor. Nesse nosso cotidiano, meu amor, eu quero é você. Sem jantares caros, eu quero é noites de amor. Sem promessa de futuro, eu quero é o nosso agora, o que temos. Te quero assim, de leve, como brisa no final de tarde ou como sol de manhã, bem natural. Quero ser acordada por ti, só porque me irrito quando me acordam, então me acorde, e me tenha, amor. Quero chegar tarde após um dia cansativo de trabalho, e gastar a energia que não tenho contigo. Eu quero você, toda parte de você, só para mim, te quero assim porquê você sabe que eu sou gulosa, amor. Quero nosso quarto, só nosso, como nosso mundo. Com você eu até passo a querer dias de verão, só para ter tardes no parque, de sol intenso, deitada em teu colo. Eu quero é te contar a minha lógica, que é ilógica até mesmo para mim. Eu vou te dar algumas das minhas teorias, acredite nelas. Mas eu ainda vou querer o inverno, quero o inverno para ter as cobertas e teu corpo para me aquecer. Eu quero é teus sonhos, que também são meus.Me ensine a cozinhar, todos os dias, porque sempre vou esquecer. Me acompanhe até o shopping, amor, mas quero livros, só isso, me compre livros. Quero tua barba por fazer roçando minha nunca, arrepiando minha pele. Quero que me provoque e me ganhe com teu olhar. Eu quero é dias de domingo na cama, nós dois de moletom cheios de preguiça e amor. Eu quero ver filmes, quero tomar café, quero que me veja lendo. Quero que se irrite, que me corrija, que me ensine. Quero que me faça rir, que ria de mim, que ria do meu andado, da minha tentativa frustada de tentar me arrumar sem acordá-lo. Quero te acompanhar por para onde me convidar, quero que me acompanhe nos lugares mais chatos, mas eu te recompenso depois. Eu quero protestar do teu lado, quero me aprofundar nos teus projetos, te quero lutando pelos meus. Te quero lá, me apoiando nas minhas causas, me sorrindo de longe, mas saberei que estava me vendo. Eu quero é sair do banho, com cabelos molhados, e te ganhar em um abraço. Quero meu corpo aninhado a teu, minha pele íntima da tua. Eu quero é beijos de paixões que nos deixe sem ar. Beijos de tipo homem aranha e Mary Jane, beijos apressados na escada, beijos urgentes de saída. Quero morder-te a boca, o pescoço, tua pele. Quero respirar no teu ouvido e sentir teu coração bater. Quero teu olhar de ansiedade por me esperar, para me ter. Eu quero que sejamos alternativos, diferentes, que sejamos tão um só, que sejamos esquecidos por alguns de nossos amigos. Eu quero que me venha com teus textos cheios de erros ortográficos, quero julgá-los. Quero tua timidez, quero escrever-te poemas de amor e sobre ti, quero ler para ti minhas estórias sem sentidos. Eu quero brigas animais, só para te pedir perdão arrependida, humilhada, ferindo meu orgulho. Porque a gente bem sabe que quando há brigas, beijos para fazer as pazes são mais gostosos. Eu quero é almoços de família, passear com teus amigos, ganhar-te nos beijos. Quero não fazer planos contigo, deixar a vida nos levando. Eu quero é perder a noção de que dia, de que hora, de quem eu mesma sou. Eu quero passar noites em claro contigo, e um dia inteiro dormindo. Quero que me traga tempestades, pois sabe o quanto as temo, então me traga teu colo para me proteger também.Quero que puxe meu cabelo, me tire do comando, me tire do controle. Eu quero é te descobrir dia após dia, teus segredos, teus desejos, tuas vontades. Quero te devorar, te abraçar. Eu quero é teu olhar de crítica, suas palavras sinceras, teu coração manipulado. Amor, eu quero tudo isso, mas se não der tudo bem. Eu quero mesmo é te amar, eu só quero é ter você.
Ah, meu menino, numa dessas caminhadas encontrei seus passos.Como poderia eu vê-lo seguindo assim e não querer te acompanhar? Fiz-me necessitada de segui-lo, de acompanhá-lo ao seu lado. Sem qualquer convite ou rejeição, segurou minha mão e me trouxe ao seu mundo. Ah, meu menino, nós nos fizemos menino e menina, homem e mulher. A cada curva, a cada parada, estávamos lá, seguindo sem direção. Temos vistos este por-do-sol de cada dia, este novo amanhecer que traz o dia. Temos sido complemento, metades, encaixes. Temos sido ar, terra, fogo e água em um só dia. Tens sido este meu silêncio de paz, esta canção de amor, este repouso para meu andar cansado. Tenho sido o que tiveres necessidade. Ah menino meu, se te faço rir, me fazes feliz. Se te tenho aqui, então está tudo bem. Neste meu mal humor, me fazes rir, nesta minha agonia me trazes conforto, neste meu dia-a-dia me trazes você. Você que me encontra quando me perco, que me sentes quando entorpeço. Meu menino, serei o que precisas, o que queres, o que te falta. Quero ir contigo até onde a estrada vai, até onde o sol nasce. Meu menino, hoje nem és tão menino assim, mas tenho esse sentimento terno por ti, uma doçura, uma inocência, acho que é amor. Você que é tudo que cabe nessa minhas lacunas, nessas minhas orações sem complemento, naquelas minhas velhas preces. Você que me acorda, que me levanta, que me sustenta e que me deita. Você que me torna tão eu. Eu que me torno tão sua... Meu menino, me traz seu abraço que me aquece, me traz seus braços que me adormece. Me traz suas cores, estas flores, estes velhos amores. Me traz suas dores, que eu irei arrancá-las, curá-las, atenuá-las. Vem meu menino, vem com teu pranto que também é meu, deixe-me chorar também, que sei que engolirá minhas lágrimas, tornando suas também. Vamos provar das nossas dores, vamos provar do que temos que conhecer... Vem meu menino, que não somos mais crianças, que somos livres, que somos eu e você.
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