o relógio acabara de completar mais uma volta, o que significa o o fim de mais um hora, o que signifca que está prestes a amanhecer, ter que acordar, aliás só levantar, já que passei a noite acordada. Eu esperei em vão, que a exaustão, trouxesse a paz, trouxesse o sono. Mas, eu ainda refletia sobre àquela tarde, a típica tarde sem graça e com um Sol forte incidindo sobre todos.
Porque tinha que ser assim? O Planeta Terra mudar o sentido de rotação, só porque encontrei um par de olhos inquietantes. Que me deixou inquieta. Não é justo, e o resto do mundo? Ou será que só eu que achava que o mundo estava assim?
Sempre foi tão comum, eu passar despercebida por todos e todos passarem por mim. Sempre tão absorta em meus pensamentos, em meu próprio mundo, nem deixava vestígios de que chegara, ou até de que já partira. Meu mundo ilusório, onde só eu e meus pensamentos existiam. A única visita deste mundo eram as músicas. Então porque de repente, alguém prende a minha atenção por mais de uma fração de segundos? Porque ali, com tantas pessoas, tão iguais, porque ele ser o único diferente aos meus olhos? Porque ele olhava com tal profundidade em meus olhos, com uma expressão tão indecifrável, como se buscasse ali as respostas para seus maiores questionamentos. A corrente de atração que nos puxava era de tamanha grandiosidade, que a gravidade perdera seu efeito em mim. De repente, parecia ser ele, o motivo de eu estar presa à Terra. E ele ainda continuava olhar meu rosto, como se de repente ele passasse a ser interessante, ou como se ele sempre tivesse sido, e eu e o resto do mundoque nunca percebemos. Seus olhos percorriam examinando minuciosamente o ser que eu era, o que me fez pensar se havia algo de errado comigo, será que eu havia esquecido de colocar alguma peça de roupa? Mas, nenhuma outra pessoa havia notado então. Eu tive vontade de olhar, mas não conseguia desviar meus olhos daquele par de olhos tão incomumente bonitos. Eles me puxavam invariavelmente em sua direção. Não como se eu quisesse, mas como se eu precisasse. Tentei voltar novamente ao meu topor, ao meu estado quase inexistente nesse mundo, mas ele já não existia mais. Seus olhos vacilaram por um momento, como se estivesse tomando uma decisão difícil. Como se estivesse aceitando a força e vindo até mim, ou se iria resistir. Procurei não mais olhar, mas meus olhos vacilavam tanto quanto os dele. E eu resolvi sair daquele lugar, fugir para um lugar onde eu pudesse voltar ao meu topor e pensamentos fúteis. Olhei uma última vez, como se despedisse do amor da minha vida que estivesse indo para a guerra. E saí, abaixei a cabeça e fugi. Tão descompassadamente, que tropecei em alguns pés, que me fizeram novamente voltar à realidade. Quando totalmente desnorteada olhei para cima, lá estava os olhos, os olhos do anjo que despetava dentro de mim os demônios. Levantei-me com a sua ajuda, aquele toque fora ainda pior que o olhar, me queimou trazendo inúmeras sensações na superfície da minha pele. E com um breve -desculpa. Saí olhando para trás e tentando fugir daquele olhar confuso, incompreendido. Desde então a minha paz se fora, junto com o meu topor.
Eu só espero que assim que amanhecer, naquele mesmo lugar, com aquele mesmo Sol que incindia e trasmitia o olhar, esteja o par de olhos por quem me apaixonei. O par de olhos que desejei a noite toda. E que ele traga as respostas dos meus medos, inseguranças, e que deseja o mesmo que. Só espero que ele esteja lá, e me siga por onde eu for.