terça-feira, 28 de junho de 2011
Pesa, pesa muito.
Não, eu não perdoo. Não perdoo tua ausência, teu silêncio, teu desamor. Eu não vou perdoar o que ficou para perdoar, não quero, não vou. Se se importasse terias feito tudo para que não chegássemos a esse ponto, em que eu te perdoo e você segue leve, carregado pelo vento. Não me venha pedir perdão dizendo que o amor é assim, não vou perdoá-lo por teres encontrado alguém que amas mais. Não te perdoo, porque não posso. Não penses que seguirá limpo, não deixarei que vás assim, tão sereno. Eu te sujo com teu próprio pecado, eu te afundo com tuas promessas não cumpridas, eu te corto com tuas palavras de adeus. Se pensastes que eu o deixaria seguir, que colocaria-me culpada e te daria o perdão, não o farei, meu bem. Tens sido difícil para mim, tudo o que fizestes, este novo amor seu, tens sido difícil, porque deveria eu facilitar para você? Tome, esta dor é mais tua do que minha, não fui eu quem a quis, não fui eu quem a provoquei, eu só a provei. Leve-a e verás o quanto pesa, o quanto afunda-me. Que te atormentes eternamente o meu não-perdão, a minha não absolvição. Te quis, e ainda te quereria se não fostes tão sujo com teu pecado. Agora vai, me deixa, me deixa sem tua mala de desamor que ela não me pertence. Carregue-a por onde for, porque aqui ela não vai ocupar-me mais espaço, ela vai pesar na tua mão. Vá, com a condenação que tu mesmo te destes... Pequeno engano este seu, achar que te livraria da tua culpa, pequeno erro seu achar que tudo caberia aqui. Guardei muitas coisas; o teu amor, tuas lembranças, teus sorrisos e minha felicidade, não vou me entupir com esta culpa, ela não me pertence. Vai, já é tarde agora.....
Bloqueio
Resolvi por lavar-me do que me pesava, e agora me falta ligação entre as palavras, me falta o que escrever. Tenho tido este bloqueio, que bloqueia-me a alma, todo o meu ser. Porque escrever era a única coisa que sabia fazer, e depois de me lavar das minhas amarguras tem me faltado a sujeira rotineira para escrever. E se eu for feita disto? De lixos, amarguras, desafetos? E se for o que me suja, o que me rompe, o que me pesa, que faz com que eu exploda em palavras. Estou me implodindo, e não sei por quanto tempo conseguirei me sustentar. Quero me sujar de novo, traga-me meu lixo, meu mal humor, minha tristeza. Traga-me tudo isso que tô precisando explodir, explodir em palavras.
domingo, 26 de junho de 2011
Quebrar-se
Desta vez não vou me quebrar. Custou-me muito me reintegrar. Não, desta vez não me quebro. Quebrei a cara, o peito, os braços, o coração, quebrei-me e ficastes inteiro. Não vou te dizer para quebrares, só digo que desta vez eu não me quebro. Sigo inteira - pela metade, na verdade- mas, uma metade inteira. Cansei de ter que sair me juntando, me colando, vivendo de fitas adesivas e band-aids. Já fui colada demais, colada a ti, colada aos pedaços. Tô regenerando, cicatrizes ficam, é claro. Mas aos poucos a gente acostuma, e acaba por fazer parte, como um lembrete de alguma história, como as cicatrizes infantis nos lembram dos nossos tombos. Mas sigo inteira, como um dia eu fui. Estranha-me pensar que já fui inteira, nem me lembro quando, mas fui. Quebrei-me tantas vezes que nem sei como sou eu inteira, sem pedaços. Mas tô colada, não sou inquebrável, mas acredito que fiquei mais resistente. Permito-me até jogar-me no chão, bater contra a parede, cair da cama. Me quero inteira, na minha metade, mas inteira.
sábado, 25 de junho de 2011
Saiu
Hoje saí limpa. Despi-me de toda a amargura e entrei no chuveiro. Deixei que a água escorresse levando pelo ralo todo o desafeto, a tristeza, as lágrimas, o que vinha me sujando. Fiquei com a cabeça debaixo d'água em um estado de não-pensar, de não-agir. Lavei a alma e tudo que vinha matando-a, tudo que vinha decompondo-a. Saí do chuveiro mais leve, mais viva. Vesti um vestido florido, pés descalços, e um livro debaixo do braço. Fui de encontro com a natureza, sentir o vento na cara, o sol na pele, a paz na alma. Corri para sentir a liberdade, a leveza, para voar. Deixa que tudo se vá nas asas do vento, deixa que a tristeza escorra pela face e volte em forma de sorriso. Deixa que tudo tem fim e que é preciso aceitar. Saí desapegada de objetos, de conceitos, de tempo, de maus sentimentos. Deixei o peito luxuriar-se com o que é puro, respirou expandindo-se, parecia não se conter. Rolei na grama e continuei limpa, clara. Sussurrei deitada no chão e encarando o sol. Hoje saí limpa, e limpou-se em mim todas as mágoas.
Não-amor
Não te amei, serias muito puro e sereno se tivesse te amado. A verdade é que te senti. Te senti como se sente uma dor de cabeça, uma dor que perturba todo o corpo. Te senti como sente os suicidas uma paixão por se matarem sem alguma explicação. Te senti como se senti um tornado, com força destrutiva. Te senti como fagulhas de vidro que penetram a pele. Te senti como uma agonia, uma perturbação. Te senti intensamente, e dói-me ainda te sentir.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Onde termina o arco-íris
Que dessa doce ilusão infantil, tornou-se por obsessão mais tarde. Perseguindo sete cores dispostas em uma sequência imutável: vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul, anil e violeta; o arco-íris. A fonte de toda a riqueza - talvez naqueles tempos representassem os pedaços de algodão-doce do céu: as nuvens, que sabor teriam? Sentaria-me nele e escorregaria, no mais perfeito dos escorregadores. Perseguir para encontrar seu fim, talvez seja o princípio, só sei que o meio é o que se vê. Mania essa de achar que o que não se vê não existe, por isto persigo o que existe, o que não vejo. E me pergunto depois de tanta obsessão será que se encontrasse o fim, o que faria dos anos de perseguição? Se o que alimenta é justamente isto, o eterno vir-a-ser, o que sempre não se saberá; mistério. Mas perseguir tornou-se questão de necessidade, persigo para achar a gota que refrata todas as cores, para achar qual delas que colore a sequência. Gota mágica, deveria ser você quem procuro, mas não, por não ser quem se destaca, procuro quem se ostenta: o arco. Se achar uma cachoeira saberei que terei gostas de água suficiente. Mas porque não a chuva? São gotas ofertadas pelo próprio céu, de onde se vem o arco-íris. Rainbow, é o arco de chuva, não resta dúvidas que vem dos céus, da água que cai. E da tímida chuva cai, vejo que se forma uma arco, da minha janela para o que se vai além do que se vê...Se além do arco-íris eu conseguisse chegar... Talvez lá encontre os segredos que todos guardam dentro de si, serei confidente do mundo... ou talvez encontre um pote de livros, eu deitarei nas nuvens - arrancando-lhes pedaços, provando-os; saberei finalmente o sabor... - e de lá, talvez encontre outra obsessão ou talvez me perca e me torne mistério como o que se tem além.
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arco-íris
Happy Birthday, engenheiro(s) da computação.
hoje é seu aniversário, Daniel.
Ah, se todos os pedaços de memórias fossem tão doces quanto os que tenho contigo....Lembro-me de ter o cabelo curto, curtinho, usar vestidinhos e ser tímida, muito tímida. E eu lembro de ir para a sua casa, subir e descer as escadas da frente, correr atrás de você na rua, ir até o seu quarto e perguntar o que fazia. Lembro de irmos a igreja juntos e depois irmos à Pigally. Gostosas lembranças comíamos lá, não é? Não se fazem pizza com ketchup como as que partilhávamos lá. Ficávamos sempre na pracinha de frente, lembro de ter algumas fontes lá, de ver a água cair. Lembro da tua gulodice, eu nunca podia tomar sorvete e a vez que fui tomar, não sabia como e ele derreteu pela minha mão, então perguntei se alguém queria e imediatamente ele sumiu da minha boca para a tua. Lembro-me de esperar eu terminar de comer a pizza, quase nunca ia além do primeiro pedaço, e se pedia o segundo acabava por dizer "Quem, q..." mas nunca terminava, porque você já comia tudo. Lembro-me de ver o Brasil ganhar o vôlei nas olimpíadas ao seu lado. Culpo-o pelo meu vício de jogar NFS underground 2, por jogar half live, e ser sádica no CS. Foi você quem me deu esses vícios, e o culpo também por ter me ensinado a usar computador. Era fascinada por vê-lo mexer em PCs, fascinava-me seus gostos musicais, e seu jeito. Ainda me fascina. Ah, Daniel, você é fucking importante para mim. Te tenho aqui, de forma especial e não consigo classificá-lo em qual função da minha vida. Não somos do tipo contar tudo um para o outro, mas temos uma ligação tão incrível, que é como se não precisássemos. Me abraça forte todas as vezes que me cumprimenta, fica beliscando minha pele, coluna. O culpo por ter me ensinado a gostar de The corrs também, acabo de lembrar. Me chama de Paulinha de forma que ninguém faz como você, vem carregado de ternura. Fica tocando instrumentos em minha pele, ri de mim, comigo. Me explica coisas sobre o que faz, o que sabe, o que eu não sei e não entendo. Me conta com toda empolgação seus projetos, sempre intercalando 'aí Paulinha' . Se achou no direito de se dar super bem com a Y. Você sempre me ajuda, e está sempre sorrindo, está sempre bem. Você se dá bem com qualquer pessoa. Eu o vi se apaixonar por computador e o vi colar grau em engenharia da computação, dá para crer o quão orgulhosa fico? Sei que ainda vai brilhar muito nesta vida, afinal foi para isso que nasceu, para nos trazer luz. Você sabe que tem muita importância para mim, e que te guardo sempre aqui, como alguém bom, alguém que me faz bem. Eu te amo muito, Daniel. Feliz aniversário.
Sobre engenheiros da computação....
Hoje também é aniversário do L. Pensei na coincidência que isto representa. Nascidos em 23 de junho, Daniel já engenheiro e L prestou para engenharia da computação. Ambos são pacientes e estão sempre bem. Feliz aniversário para você também, L. Você que me atormenta todos os dias, que sempre conta algo engraçado e diz 'essa foi boa', e que faz parkour. haha.
Ah, se todos os pedaços de memórias fossem tão doces quanto os que tenho contigo....Lembro-me de ter o cabelo curto, curtinho, usar vestidinhos e ser tímida, muito tímida. E eu lembro de ir para a sua casa, subir e descer as escadas da frente, correr atrás de você na rua, ir até o seu quarto e perguntar o que fazia. Lembro de irmos a igreja juntos e depois irmos à Pigally. Gostosas lembranças comíamos lá, não é? Não se fazem pizza com ketchup como as que partilhávamos lá. Ficávamos sempre na pracinha de frente, lembro de ter algumas fontes lá, de ver a água cair. Lembro da tua gulodice, eu nunca podia tomar sorvete e a vez que fui tomar, não sabia como e ele derreteu pela minha mão, então perguntei se alguém queria e imediatamente ele sumiu da minha boca para a tua. Lembro-me de esperar eu terminar de comer a pizza, quase nunca ia além do primeiro pedaço, e se pedia o segundo acabava por dizer "Quem, q..." mas nunca terminava, porque você já comia tudo. Lembro-me de ver o Brasil ganhar o vôlei nas olimpíadas ao seu lado. Culpo-o pelo meu vício de jogar NFS underground 2, por jogar half live, e ser sádica no CS. Foi você quem me deu esses vícios, e o culpo também por ter me ensinado a usar computador. Era fascinada por vê-lo mexer em PCs, fascinava-me seus gostos musicais, e seu jeito. Ainda me fascina. Ah, Daniel, você é fucking importante para mim. Te tenho aqui, de forma especial e não consigo classificá-lo em qual função da minha vida. Não somos do tipo contar tudo um para o outro, mas temos uma ligação tão incrível, que é como se não precisássemos. Me abraça forte todas as vezes que me cumprimenta, fica beliscando minha pele, coluna. O culpo por ter me ensinado a gostar de The corrs também, acabo de lembrar. Me chama de Paulinha de forma que ninguém faz como você, vem carregado de ternura. Fica tocando instrumentos em minha pele, ri de mim, comigo. Me explica coisas sobre o que faz, o que sabe, o que eu não sei e não entendo. Me conta com toda empolgação seus projetos, sempre intercalando 'aí Paulinha' . Se achou no direito de se dar super bem com a Y. Você sempre me ajuda, e está sempre sorrindo, está sempre bem. Você se dá bem com qualquer pessoa. Eu o vi se apaixonar por computador e o vi colar grau em engenharia da computação, dá para crer o quão orgulhosa fico? Sei que ainda vai brilhar muito nesta vida, afinal foi para isso que nasceu, para nos trazer luz. Você sabe que tem muita importância para mim, e que te guardo sempre aqui, como alguém bom, alguém que me faz bem. Eu te amo muito, Daniel. Feliz aniversário.
Sobre engenheiros da computação....
Hoje também é aniversário do L. Pensei na coincidência que isto representa. Nascidos em 23 de junho, Daniel já engenheiro e L prestou para engenharia da computação. Ambos são pacientes e estão sempre bem. Feliz aniversário para você também, L. Você que me atormenta todos os dias, que sempre conta algo engraçado e diz 'essa foi boa', e que faz parkour. haha.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Inverno
Vem o inverno com o pincel tornando as cores menos gritantes, pintando na tela o que se esconde no artista. Inverno faz o sol recuar, mas o torna necessário como um segundo plano na imagem para preenchê-la. o sol deixa de ser protagonista para ser coadjuvante, até ele faz um pouco de frio, ilumina mas não aquece. Faz frio e é esta uma sensação gostosa, inverno é leve. Inverno pede café, pede chocolate quente, um dia apático, um bom livro. Inverno pede abraços, pede casacos, pede cobertor. Pede para cobrir a dor. Inverno pede amor, ou talvez a leve dor que isto nos traz. Inverno é bom de se sentir, de se sentir na alma, na pele do rosto provocando ressecamento. Resseca lábios pedindo contato. Resseca mãos pedindo caminhadas de mãos dada. Resseca corações pedindo que os mesmos voltem a amar. Inverno é feito para se contar histórias, para se criá-las, para se ouvi-las e ainda mais para se vivê-las. Inverno congelam rostos, dores e amores. Congela o que se deve viver no verão, traz novos ares, novos mares e nos ensina a aproveitar o novo. Faz frio aqui e isto é tão caloroso. Inverno é questão de sentir o que traz, o frio é consequência. Inverno faz frio para aproximar, para sentir o calor, sentir a dor, sentir. Ah, é inverno outra vez, e eu sinto muito...
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segunda-feira, 20 de junho de 2011
Ex- amor,
Há tempos não tenho notícias suas. Nem mesmo sei dizer qual a última vez que o vi. Costumava contar seus passos de chegada e partida. Mas, hoje, por um apelo interno, resolvi mandar-te uma das cartas que todo mês escrevo, mas nunca mando. Precisei fazer síntese de todas as cartas, de todos os meses, para escrever-te uma só.
Como tens estado? Tens seguido o que acreditas... Seus planos, sonhos, ideologia? O que tens de novo; cortaste o cabelo, pegaste um sol, mudou de gostos, tens mais sonhos? Ah, amor, perdoe-me o fluxo de inconsciência, o fluxo de palavras, o jorro de perguntas, tenho ânsia de saber de ti. Já faz tempo, não é mesmo?
Eu mudei tanto amor, e nem estas aqui para ver. Lembra dos defeitos que tanto odiava? Ainda os tenho amor, mas estou mudando. Tenho me socializado um pouco mais, amor. Custa-me ainda, é difícil, ficar tanto tempo inerte e depois prestar atenção a tudo e a todos. Sabe amor, continuo idealista. Tenho planejado protestos, sair de cara pintada, pés no chão. Talvez eu não mude nada, mas tampouco não mudarei meus ideais. Lembra-te da minha vontade de ser mais eu? Pois é, tenho conseguido isso também. Tenho me envolvido mais em causas que acredito que me fazem bem. Nem me importo com o que pensam os outros, como havia dito eles são apenas... outros.
Consegui uma aprovação no vestibular amor, aquele meu velho projeto que tenho tanto me esforçado. Mas, tenho passado por tantas coisas, amor. Tantas coisas e sem tê-lo ao meu lado. Dias atrás tudo desabou sobre mim, mas fui forte, forte como me ensinastes. Às vezes me pego lembrando de ti, nada crônico, de vez em quando mesmo. Imagino como seria se ainda o tivesse aqui, do meu lado. O vejo contemplando minhas conquistas escolares, o vejo dando seu ombro, abraçando-me para me fazer feliz. O vejo com tua mão entre as minhas, com os teus sonhos como minhas prioridades de realizar. Vejo-me com você num parque, num cinema, na nossa velha roda de amigos... Apresentando-o aos meus novos amigos. Vejo-me falando de ti amor, como meu, perdoe-me querer propriedade, mas é como vejo. Sabe, às vezes acho que estaria melhor, se ainda o tivesse aqui.
Eu sei amor, que com meu jeito o fiz partir. Não guardo mágoas, ao contrário, lhe guardo amor, muito amor. Lembra o quanto me pedias para demonstrar o que sentia; o quanto reclamavas do meu desafeto? Então amor, não era desapego, era apego demais. Apeguei-me tanto a ti que até hoje não o deixei partir. Ainda guardo teus sentimentos aqui, se tiveres os seus ainda, talvez sentamo-nos e tornamo-los atuais.
Fomos ingênuos, não fomos? Acreditar que teríamos todo o amor do mundo e ninguém nos puniria por isso. Fomos ingênuos por acreditar que era tudo o que nos bastava. Fui ingênua por acreditar que você me bastava. Fui ingênua por te deixar partir pelo medo de te perder...te perdi.
Não mando esta carta para criar algum vínculo, alguma amizade. Sabe que fomos tudo separados, menos amigos. Não sabemos sê-lo, amor. Talvez sejamos melhores amantes que amigos. Não o quero como amigo, me desculpe. Queria-te de várias formas, mas como amigo não. Seria tua amiga, se ainda fosses meu amor. Seria tua... Mas, amigos não somos. Não confiaria em ti, confundiria tua amizade outra vez. Não confiaria em mim ao ter-te ao meu lado. Sei que estás na hora de ir... Voar no mais alto céu, ou nadar nas mais profundas águas. Sempre pertenceu mais ao mundo do que a si mesmo, então sei que tem que ir. Não para caminhar com tuas pernas, mas para voar com tuas asas, para respirar debaixo d’água. Te deixo ir amor, não de mim, mas te deixo ir. Ah, depois de tanto tempo, ainda tenho nutrido aquele sentimento, então talvez não seja apenas uma paixãozinha como havia dito....
Com o desejo de que proves uma nuvem,
Sua ‘ex-amor’.
Concreto e abstrato
Hoje senti saudades. Esta dor doeu-me tanto que cheguei a duvidar que fosse real. Duvidei até da tua concreta existência. Pensei em ti abstrato, sabe amor? Como o amor que sinto... Abstrato, nada de concreto. Já deveria saber que amor não é concreto, amar não é concreto, ter-te não deveria ser também... Saí para caminhar e me peguei refazendo os nossos passos, o caminho que fazia tendo-o ao meu lado, acabei naquele nosso lugar. E foi estranho, lá estava tão solitário quanto eu mesma. Senti pena, aquele lugar já foi tão mais colorido. Sentei nos nossos degraus, o terceiro de cima para baixo. Fez frio lá, lembrei-me do quanto era quente. Fez-me falta, o degrau era grande demais para acomodar-me, tava gélido, duro, e era novamente concreto. Tua ausência fez-se concreto como tua existência fez-se abstrata. Estranhei não sentir-me ansiosa a te esperar, mas senti agonia ao invés. A dor foi maior ali, amor. Não tinha nossa alegria, ouvia-se apenas o eco das nossas risadas, e pela primeira vez, elas assustaram-me. Ah, amor, precisei sair dali, se queria provar que era concreto o que vivemos, fiz da minha solidão concreta e o que passamos; abstrato.
sábado, 18 de junho de 2011
Junho
É junho já; a metade. Tá morno, ainda que seja inverno, tá morno. Não tá aquele frio que o impede de levantar-se no meio da noite, nem tá tão quente que o faça querer cair numa piscina. Tá medíocre, como são medíocres todas as metades. Está no meio, onde o caminho para prosseguir tem a mesma distância do caminho de volta. Onde se sabe que todo o tempo que durou para chegar até aqui, será o mesmo para chegar até o final. E que para chegar ao final, seria o mesmo que vir até aqui duas vezes, ou então, vir até aqui e voltar. É, metades são medíocres. Junho é medíocre. Pobre junho!
Tô fechando a porta, amor. Te pediria para me acompanhar, mas me pediu para eu te deixar. Então te deixo, te deixo com um pedaço de mim, não, não, levo apenas um pedaço de mim e deixo a maior parte contigo. Ah, amor, te deixo com as lembranças, com a saudade, te deixo simplesmente. Tô fechando a porta e não me importa como vai ficar. Se estará melhor ou não, não vou saber, vou te deixar. Mas, te deixo hoje, e se amanhã me procurares estarei ocupada, terei compromisso comigo mesmo, com minha felicidade. Calma, já estou indo, a porta está quase fechada, só deixo esta fresta para ouvir as últimas palavras, vê se por esta fresta entra o arrependimento. Tá, amor, fecho-a agora, mais do que fechá-la, vou trancá-la. Adeus, seja feliz com tua infelicidade.
XXIII X
Tenho pensando tanto em ti que acabei por esquecer de mim. És tu a imagem vívida que paira sobre todos os meus pensamentos. Não tenho nem mesmo precisado fechar os olhos para te ver, está sempre ali, sólido na minha mente onde fez morada e recusa-se a mudar. Tenho tido deficiência olfativa, indiferente a qualquer cheiro que não seja o seu. Meus ouvidos recusam-se a escutar qualquer timbre que não seja o da tua voz. Pensei em te ligar, mas tens sido tão indiferente que nem ligas mais para mim, não se importa, entendes? Não tenho precisado de lembretes para me lembrar de ti, mas até o relógio esforça-se para não me deixar esquecer-te, marca certa hora de forma que me lembra que é esta a data do teu aniversário. Tua ausência tem feito presença constante na minha vida. Até quando tento te esquecer, lembro-me de que preciso não pensar em ti, e por lembrar-me disto, lembro-me de você.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Perfeita Simetria
"Toda vez que toca o telefone eu penso que é você,
toda noite de insônia eu penso em te escrever...
Escrever uma carta definitiva, que não dê alternativa pra quem lê.
Te chamar de carta fora do baralho, descartar , embaralhar você
E fazer você voltar..."
- Engenheiros do Hawaii
Te escrevo porque tens feito falta. Queria telefonar-te, mas sabe como é, teria que escutar tua voz e ouviria como a minha iria se partir... Por isso escrevo, porque sei que não irá responder, este teu silêncio tens me matado. Mas, tens feito falta, meu querido.
Como andas? A vida está melhor desde que se foi? E o amor, encontrou-o novamente? Encontraste alguém que o acompanhe, como eu não fiz? Encontraste alguém que seja mais sua metade que eu? Que seja mais igual que eu e você?
De tempos em tempos eu tiro um tempo para não pensar em você, sabe como é, estás sempre em meus pensamentos. Mas, sabe, queria escrever algo que fosse melhor que isso, que fosse um ponto final, mas sabes da minha mania de reticências....Em prolongar períodos, histórias, sabes da minha dificuldade de conclusão.
Pensei em te escrever, te pedir para voltar, voltar para minha vida, para aquele tempo que nos pertencia. Aquele tempo que nos juntou, sem motivos algum para nos dividirmos. Éramos tão simétricos, tão perfeitos. Éramos uma perfeita simetria, pertencíamos um ao outro, coexistindo, como se nos encaixássemos.
E agora, como há de ser? Ando sendo metade, apenas metade, já que a outra parte tens estado por aí, inteiro. A simetria foi quebrada, como quebraram os romanos com a simetria grega...Tantos anos com a perfeição, sendo simétricos, tantos anos, para quebrar-se.
Vamos nos perdoar, perdoar o que restou, o que não der, esqueça! Vamos seguir com o que tínhamos, com nossa perfeição, com meus defeitos, com tua vaidade. Vamos seguir como éramos, costumávamos ser tão bons juntos.
Mas sabes, estou cansada de viver a mesma história, reviver os mesmo dias, como já foi uma vez. Talvez seja fato que vá me cansar, todos os teus defeitos, tudo o que fez, ah, isto há de me cansar...
Ah, meu querido, tens me feito tanta falta!
"Toda vez que toca o telefone eu penso que é você. Toda noite de insônia, eu penso em te escrever: Pra dizer que o teu silêncio me agride, e não me agrada ser um calendário do ano passado; pra dizer que teu crime me cansa, e não compensa entrar na dança depois que a música parou...A música parou. Ao tempo em que nada nos dividia. Havia motivo pra tudo e tudo era motivo pra mais...Era perfeita simetria, éramos duas metades iguais... O teu maior defeito talvez seja a perfeição; tuas virtudes, talvez não tenham solução...Então pegue o telefone ou um avião, deixe de lado os compromissos marcados, perdoa o que puder ser perdoado...Esquece o que não tiver perdão; e vamos voltar aquele lugar, vamos voltar. "
terça-feira, 14 de junho de 2011
A sua
"Eu só quero que você saiba que estou pensando em você
Agora e sempre mais.
Eu só quero que você ouça a canção que eu fiz pra dizer
que eu te adoro cada vez mais
e que eu te quero sempre em paz."
- Marisa Monte
Ah, deixe-me ficar aqui um pouco mais em teus braços, vê se desisto de partir. Isto, abrace-me mais forte, envolva-me como a velhice abraça a morte. Hoje sou tua, e te quero para mim. Sim, hoje não vou nem te mando embora, faço-me tua prisioneira, condeno-te a seres o meu travesseiro. O que importa-me e ter-te um pouco mais. Ah, se soubesses que teu abraço afasta a saudade, como o amanhecer afasta a noite. Visto os teus sonhos esta noite, e seguro tua mão para torná-los realidade. Tens sido o que eu quero há muito tempo, deixe-me tentar ser o mesmo para você. Venha, não se acanhe, toda essa mudança se deu pelo fato de ter dito no meu ouvido que serias meu, então, aqui estou eu, sou tua também. Sabes que quando vou, fico com aquela coisa de saudade, fico desejando teus dedos entre os meus. Então, agora que te tenho aqui, quero a paz que juramos um ao outro, quero cuidar de ti, como cuida as estrelas da lua para que ela não seja sozinha. Aonde desejardes ir, vamos, estarei paralela a ti, vamos como paralelas até o infinito. Quero que caiba aqui, em um único lance de vista e no cuidar das minhas mãos. Venha, que quando amanhecer o despertador não nos acordará...
"Tô com sintomas de saudade, tô pensando em você. E como eu te quero tanto bem. Aonde for não quero dor, eu tomo conta de você, mas te quero livre também...como o tempo vai e o vento vem. Eu só quero que você caiba no meu colo, porque eu te adoro cada vez mais. Eu só quero que você siga, para onde quiser...que eu não vou ficar muito atrás."
segunda-feira, 13 de junho de 2011
És o ódio, és o que sobrou.
Deixe-me te odiar que nesse ódio encontro conforto. Deixe-me te odiar, porque te amar tem doído tanto...
Deixe-me te odiar para eu preencher a tua ausência. Deixe-me te odiar, porque não é ódio o contrário do amor, então deixe-me te odiar porque é o sentimento mais próximo do amor que lhe tinha. Deixe-me te odiar por que é esta a justificativa por eu lhe ter algum sentimento.Deixe-me de vez ou então deixe-me apenas te odiar porque eu tentei te amar e não foi este o sentimento certo.
Deixe-me te odiar para eu preencher a tua ausência. Deixe-me te odiar, porque não é ódio o contrário do amor, então deixe-me te odiar porque é o sentimento mais próximo do amor que lhe tinha. Deixe-me te odiar por que é esta a justificativa por eu lhe ter algum sentimento.Deixe-me de vez ou então deixe-me apenas te odiar porque eu tentei te amar e não foi este o sentimento certo.
A resposta que não interessa
- Oi, tudo bem?
Não, nada tem estado bem. Desde a última segunda-feira tudo tem caído com impressionante velocidade. Fui aconselhada por minha coordenadora a fazer terapia, e embora eu já esteja fazendo, isso me preocupou. Tenho andado de cabeça baixa, passos lentos e um sorriso no rosto. Estou cansada de tantas coisas. São tantas cobranças, todo dia escuto 'isso é muito importante, todo ano cai', todos tem se sentido no direito de me aconselhar, mas como um dia alguém me disse, conselho é apenas uma forma de alguém impor sua opinião sobre você. Tantos problemas e sei que eles são tão pequenos diante os problemas do mundo. Tô cansada dessa felicidade maquiada, tenho sentido tantas saudades, tenho me sentido vazia às vezes, como se o que tenho feito não tem sentido algum. Tem dias que me custa um pedaço levantar-me da cama, mas levanto-me sorrindo e com a esperança de que talvez seja um dos melhores dias da vida, e toda essa esperança só tem servido para me alimentar decepções. Levanto-me assim porque tem pessoas que precisam disso, precisam do meu sorriso, do meu otimismo e das minhas não-reclamações. Tenho escutado os problemas dos outros, porque sei que todo mundo só precisa de alguém que o escute, e então calo-me com os meus. Calo-me porque sei que não sou a única no mundo com problemas, e que talvez eles nem sejam tão grandes assim... É, tem me custado a ausência do que já nem sei mais. Tenho desperdiçado meu tempo com coisas banais, apenas pensando que assim estou desistindo de vagar, porque é tudo o que tenho pensado, em desistir. Quando minha coordenadora disse que eu tinha potencial para mais e que não era para eu desanimar ficava pensando justamente o contrário. Tenho vontade de ficar na minha cama e dormir bastante. Até a escola que sempre me animava tanto, tem sido bem monótona, fico pensando em todas as aulas, "FUCK". Sem falar na agonia que em mim fez morada, é um sensação de não estar sendo quem se quer ser, não de estar fazendo o que não deveria, de estar desperdiçando tempo, de não estar vivendo, é inexplicável e tem me matado um pouco. Tá difícil, mas preciso sorrir, talvez com ele no rosto se torne um pouco mais suportável. Tudo tem parado nos meus ombros e tá pesando tanto. E essa saudade insana que me dá vontade de chorar, quando na verdade eu nem choro mais. Esse choro seco que não sai - porque nem me lembro a última vez que chorei com lágrimas de verdade, jurei há um tempo não chorar e isso parece ter se tornado real - mas, parece que qualquer um que fale comigo me faz querer chorar. Pois é, saudade tem doído muito. Eu só queria um feedback, só para ter certeza de que o que aconteceu não foi somente na minha cabeça. Hoje quando o L me perguntou no ouvido porque estava brava com ele, ou se só estava nervosa com tudo, eu respondi, não sei o porquê, que estava brava com ele e não sabia o porquê, me arrependendo um segundo mais tarde. E essa minha mania de querer ser perfeita, de ter tudo tão perfeito tem me sufocado também, mas não consigo me livrar disso. AAAAH, que vontade de gritar. Aonde posso eu encontrar forças, preencher o que me falta, livrar-me disso tudo? É, acho que tenho estado em crise, talvez seja só a maldita tpm.
- Estou bem, obrigada. - (com um sorriso nos lábios)
* porque todos ficam fazendo essa pergunta, sendo que, na verdade, não é a resposta que interessa.
Não, nada tem estado bem. Desde a última segunda-feira tudo tem caído com impressionante velocidade. Fui aconselhada por minha coordenadora a fazer terapia, e embora eu já esteja fazendo, isso me preocupou. Tenho andado de cabeça baixa, passos lentos e um sorriso no rosto. Estou cansada de tantas coisas. São tantas cobranças, todo dia escuto 'isso é muito importante, todo ano cai', todos tem se sentido no direito de me aconselhar, mas como um dia alguém me disse, conselho é apenas uma forma de alguém impor sua opinião sobre você. Tantos problemas e sei que eles são tão pequenos diante os problemas do mundo. Tô cansada dessa felicidade maquiada, tenho sentido tantas saudades, tenho me sentido vazia às vezes, como se o que tenho feito não tem sentido algum. Tem dias que me custa um pedaço levantar-me da cama, mas levanto-me sorrindo e com a esperança de que talvez seja um dos melhores dias da vida, e toda essa esperança só tem servido para me alimentar decepções. Levanto-me assim porque tem pessoas que precisam disso, precisam do meu sorriso, do meu otimismo e das minhas não-reclamações. Tenho escutado os problemas dos outros, porque sei que todo mundo só precisa de alguém que o escute, e então calo-me com os meus. Calo-me porque sei que não sou a única no mundo com problemas, e que talvez eles nem sejam tão grandes assim... É, tem me custado a ausência do que já nem sei mais. Tenho desperdiçado meu tempo com coisas banais, apenas pensando que assim estou desistindo de vagar, porque é tudo o que tenho pensado, em desistir. Quando minha coordenadora disse que eu tinha potencial para mais e que não era para eu desanimar ficava pensando justamente o contrário. Tenho vontade de ficar na minha cama e dormir bastante. Até a escola que sempre me animava tanto, tem sido bem monótona, fico pensando em todas as aulas, "FUCK". Sem falar na agonia que em mim fez morada, é um sensação de não estar sendo quem se quer ser, não de estar fazendo o que não deveria, de estar desperdiçando tempo, de não estar vivendo, é inexplicável e tem me matado um pouco. Tá difícil, mas preciso sorrir, talvez com ele no rosto se torne um pouco mais suportável. Tudo tem parado nos meus ombros e tá pesando tanto. E essa saudade insana que me dá vontade de chorar, quando na verdade eu nem choro mais. Esse choro seco que não sai - porque nem me lembro a última vez que chorei com lágrimas de verdade, jurei há um tempo não chorar e isso parece ter se tornado real - mas, parece que qualquer um que fale comigo me faz querer chorar. Pois é, saudade tem doído muito. Eu só queria um feedback, só para ter certeza de que o que aconteceu não foi somente na minha cabeça. Hoje quando o L me perguntou no ouvido porque estava brava com ele, ou se só estava nervosa com tudo, eu respondi, não sei o porquê, que estava brava com ele e não sabia o porquê, me arrependendo um segundo mais tarde. E essa minha mania de querer ser perfeita, de ter tudo tão perfeito tem me sufocado também, mas não consigo me livrar disso. AAAAH, que vontade de gritar. Aonde posso eu encontrar forças, preencher o que me falta, livrar-me disso tudo? É, acho que tenho estado em crise, talvez seja só a maldita tpm.
- Estou bem, obrigada. - (com um sorriso nos lábios)
* porque todos ficam fazendo essa pergunta, sendo que, na verdade, não é a resposta que interessa.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
3x4
Diga a verdade ao menos uma vez na vida,
você se apaixonou pelos meus erros(...)
você se apaixonou pelos meus erros(...)
Diga a verdade, ponha o dedo na ferida
você se apaixonou pelos meus erros.
você se apaixonou pelos meus erros.
- Engenheiros do Hawaii
- Eu vim para te provar que estava errado. Não, não tente argumentar hoje quem vai falar sou eu.... Ontem quando você disse 'eu te amo' e eu apenas me afastei e por isso despejou todas aquelas coisas em mim, bem, aqui estou eu, para refutar cada uma delas....
-Sim, eu não te disse eu te amo também. Eu sei que, eu sou fria, não falo sobre sentimentos e nem mesmo sei o que é chorar... ou pelo menos não sabia até ontem...O fato é que, eu tenho sim mania de querer controlar tudo, e eu planejo todos os meus dias, tenho mania de perfeição, de querer que tudo seja como eu planejei, que tudo seja perfeito. Eu sei que vivo mais dentro da minha cabeça do que fora dela, sei que não me socializo muito e que sou crítica demais. Sei que embora eu queira a perfeição, eu não sou perfeita. Sei que sou neurótica, conheço-me pelas minhas manias. Sei que às vezes... bem, ok, quase sempre o humilho, o desprezo. Sei que não permito sentimentos, não os demonstro e que pareço-me gélida. Sei que sempre que tenho um problema eu o ignoro em vez de resolvê-lo, e que ignoro tudo o que me é desconfortável, é eu sei. Eu sei que vivo mil vidas, mas em nenhuma delas vivo-as no mundo real. Sei que quero ser muitas coisas mas acabo me tornando o que os outros querem que eu seja. Sei que eu condeno, que me finjo de auto-confiante, de auto-suficiente, de que sou eu mesma, mas no fim não sou nada disso. Sei de todos os defeitos que cuspistes ontem em minha cara.
-Mas eu também sei que não odeias realmente tudo isso em mim. Eu sei que se eu o permitisse caminhar pela minha vida afora, só para não ferir o meu orgulho, eu teria que conviver para o resto da minha vida com esse arrependimento. Eu sei que se eu não viesse hoje, aqui, na sua cara, e falasse tudo o que nunca te falei, não poderia conviver comigo mesma.
- A verdade é que se não disse que o amava é porque há uma parte de mim, a que sempre me domina, que é insegura, está sempre com medo de perdê-lo, por isso o humilho, por isso sou fria, porque penso que se eu torturá-lo, se eu o destruí-lo a cada dia, quando eu perdê-lo doerá menos. Se planejo tudo, se não sei ser eu mesma, é porque me desconheço quando estou com você, talvez, seja com você, quem eu sou mais...eu. Se quero ser perfeita é só para disfarçar todas as imperfeições que podem fazer com que você desista de mim. É, eu tenho manias, eu sou imperfeita...Satisfeito? Essa sou eu, chorando pela primeira vez na frente de alguém, sendo eu mesma, sem atuar ou encarar nenhuma personagem. Sou eu, expondo minhas neuroses, quer conhecê-las? Lá vai....
- Me enlouquece saber que terei que conhecer pessoas novas, me enlouquece que minhas coisas fiquem fora do lugar, me enlouquece dormir de outro lado ou com menos de um travesseiro, me enlouquece blusa presa dentro da calça, ou que minha comida se misture no prato. Me enlouquece todas as neuroses, me enlouquece como eu sempre fico repassando algo que aconteceu, me enlouquece como a cada erro meu eu me puno severamente por isso. Me enlouquece pensar que estou sendo sensível, estúpida, ou sentimental de mais....
- Mas a verdade, é que, aqui, entre lágrimas, eu me encontrei. Vê-lo chorar ontem e gritar na minha cara e depois dizer adeus, bem eu confesso, pensar que jamais o teria na minha vida me fez enlouquecer. É você minha maior neurose, e o que fizeste ontem me fez ver que eu estava viva. Me fez perceber que embora eu aponte os seus erros, eles não tem importância para mim, que eu o amo por causa deles. Porque embora eu os aponte, eu vejo em você uma perfeição insondável. E eu quero pedir para que fique, não porque sem você eu não possa viver, porque acredite eu posso, mas é que eu não quero. Eu não quero ter que viver sem você, eu não quero ter que te perder e torná-lo meu maior erro. Eu não quero viver seu teu silêncio de compreensão, ou o teu silêncio, que só se cala, para não discordar de mim, não brigar comigo. Porque eu amo sua imperfeições, eu amo como procura satisfazer minhas neuras, como procura ser perfeito para mim. Como, sem querer, você é, não quem me completa, mas quem me traduz. Bem, se é um 'eu te amo' que precisas para não partir, aqui está, implícito em cada palavra, em cada lágrima - que nunca havia caído antes - em cada respirar, em cada desespero meu, um eu te amo, mas se quiseres aqui vai, explícito mesmo, um EU TE AMO, te amo com um sentimentalismo barato, comum, banal, te amo como os poetas românticos viam sua amadas, tão idealizadas, te amo com um amor real, idealizado, sentimental, clichê, inovador. Te amo, porque, se eu não o amasse, talvez não houvesse mais esperança para mim...Bem, é, eu te amo.Me perdoa?
"destrua a razão nesse beco sem saída (...) E eu perdi as chaves, mas que cabeça a minha, agora vai ter que ser...Para toda a vida...
Somos o que há de melhor, somos o que dá pra fazer, o que não dá pra evitar e não se pode escolher. Se eu tivesse a força que você pensa que eu tenho, eu gravaria no metal da minha pele, o teu desenho. Feitos um pro outro, feitos pra durar, uma luz que não produz...Sombra. Somos o que há de melhor, somos o que dá pra fazer, o que não dá pra evitar e não se pode esconder..."
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Diálogo
Conversavam sem se encarar, ela olhava o céu, ele o chão, embora, entre um ladrilho e outro, voltava o olhar para o rosto dela, provavelmente entender o que se passava ali. Eram amigos há anos, mas naquele momento, pareciam se conhecer pela primeira vez...
Ele: ... Ver-te passando por mim como se não me visse, e o que doeu é que eu sabia que tinha me visto, chegou-me a olhar, havia desprezo em teus olhos....
Ela continuava sem encará-lo, embora agora, tentava, com certa dificuldade, prestar atenção. Havia algum tempo que ele estava falando, ela não ouvira uma palavra dele, até aquele momento.
Ele: ...e pensar que tudo estaria perdido, TUDO. Perder todos os risos que demos, seria injusto. Eu quero que entenda, ontem, quando a vi passar, compreendi que deixaste há muito tempo de ser minha amiga. Bem, é que eu não a vejo mais como amiga, se entende o que quero dizer....
Ela prendeu a respiração. Estava alerta a qualquer som, qualquer leve balançar das folhas, a cada respiração que se exalava da pessoa ao seu lado. Seu corpo estava rígido com as últimas palavras... será que ela havia entendido direito? Tentou reorganizar os pensamentos, tentou saber se era real...o que se comprovou com um sopro de vento que afastou seu cabelo de seus olhos. Não podia ser - era só o que pensava - depois de todos aqueles anos?
Diante do silêncio, ele prosseguiu...
Ele: Eu preciso que entenda, que eu não quero só ser teu amigo, eu não quero te perder, eu preciso de você. Prometo ....
Ao ouvir prometo, soube que apesar de real, a promessa já se desfazia ali. Cumprir promessas não era com ele, talvez fosse isso que o tornava encantador.
Ele:.. prometo não te magoar outra vez. Sei que tens razões para não confiar, nem mesmo querer ser meu amigo, mas eu prometo de fazer feliz, prometo que jamais quebrarei esta promessa....
Alguma coisa, que saíra de seus olhos, rolou pela sua face e fez morada no seu peito. Molhou a sua blusa branca, respirou fundo, limpou os olhos, embora continuassem embaçados, o encarou pela primeira vez desde o início da conversa.
Ela: Agora? Engraçado - pura ironia, não havia nada de humor naquilo. - há tantos anos que eu... eu.... eu gosto de você, e jamais notou isso... Tentei de tantas maneiras te esquecer, me reconstruir, mas nunca consegui, era só você no meu pensamento, eu só queria você. E justo agora, que eu estava bem, não perfeita, mas bem, você me diz isto....
Ele: Você gosta de mim? Porque nunca me disse?
Ela: Precisava? Se desistir de mim mesma, se acolher-te nos meus braços por uma noite inteira enquanto lamentava-se por outra, se estar sempre pronta para o que quisesse, se isso tudo não fosse indicativos de que gostava de você, ou você era cego, ou idiota.
Ele: Poxa, você gosta de mim.
Ele ria deslumbrado com a ideia, ela se perguntava se ele havia ouvido a dor na sua voz ou se, ao menos, havia ouvido alguma palavra além de que ela gostava dele.
O silêncio retornou, eles se encaravam. Ele a levou de volta à porta da sua casa, chegando lá, reafirmou sua promessa.
Abraçaram-se como nunca antes. Como se fossem dois amantes separados pelo destino, e que enfim, se reencontraram.
Ela aceitou a promessa, mesmo sabendo que, jamais se cumpriria. Queria dizer que não dava mais, que não podia, que ele deveria sofrer esquecendo-a, que teria que se contentar com sua amizade. Sabia que aquela promessa já estava quebrada antes mesmo de se concretizar. Mas o que poderia fazer se ela não gostava dele, se ela na verdade, o amava?
Ele: ... Ver-te passando por mim como se não me visse, e o que doeu é que eu sabia que tinha me visto, chegou-me a olhar, havia desprezo em teus olhos....
Ela continuava sem encará-lo, embora agora, tentava, com certa dificuldade, prestar atenção. Havia algum tempo que ele estava falando, ela não ouvira uma palavra dele, até aquele momento.
Ele: ...e pensar que tudo estaria perdido, TUDO. Perder todos os risos que demos, seria injusto. Eu quero que entenda, ontem, quando a vi passar, compreendi que deixaste há muito tempo de ser minha amiga. Bem, é que eu não a vejo mais como amiga, se entende o que quero dizer....
Ela prendeu a respiração. Estava alerta a qualquer som, qualquer leve balançar das folhas, a cada respiração que se exalava da pessoa ao seu lado. Seu corpo estava rígido com as últimas palavras... será que ela havia entendido direito? Tentou reorganizar os pensamentos, tentou saber se era real...o que se comprovou com um sopro de vento que afastou seu cabelo de seus olhos. Não podia ser - era só o que pensava - depois de todos aqueles anos?
Diante do silêncio, ele prosseguiu...
Ele: Eu preciso que entenda, que eu não quero só ser teu amigo, eu não quero te perder, eu preciso de você. Prometo ....
Ao ouvir prometo, soube que apesar de real, a promessa já se desfazia ali. Cumprir promessas não era com ele, talvez fosse isso que o tornava encantador.
Ele:.. prometo não te magoar outra vez. Sei que tens razões para não confiar, nem mesmo querer ser meu amigo, mas eu prometo de fazer feliz, prometo que jamais quebrarei esta promessa....
Alguma coisa, que saíra de seus olhos, rolou pela sua face e fez morada no seu peito. Molhou a sua blusa branca, respirou fundo, limpou os olhos, embora continuassem embaçados, o encarou pela primeira vez desde o início da conversa.
Ela: Agora? Engraçado - pura ironia, não havia nada de humor naquilo. - há tantos anos que eu... eu.... eu gosto de você, e jamais notou isso... Tentei de tantas maneiras te esquecer, me reconstruir, mas nunca consegui, era só você no meu pensamento, eu só queria você. E justo agora, que eu estava bem, não perfeita, mas bem, você me diz isto....
Ele: Você gosta de mim? Porque nunca me disse?
Ela: Precisava? Se desistir de mim mesma, se acolher-te nos meus braços por uma noite inteira enquanto lamentava-se por outra, se estar sempre pronta para o que quisesse, se isso tudo não fosse indicativos de que gostava de você, ou você era cego, ou idiota.
Ele: Poxa, você gosta de mim.
Ele ria deslumbrado com a ideia, ela se perguntava se ele havia ouvido a dor na sua voz ou se, ao menos, havia ouvido alguma palavra além de que ela gostava dele.
O silêncio retornou, eles se encaravam. Ele a levou de volta à porta da sua casa, chegando lá, reafirmou sua promessa.
Abraçaram-se como nunca antes. Como se fossem dois amantes separados pelo destino, e que enfim, se reencontraram.
Ela aceitou a promessa, mesmo sabendo que, jamais se cumpriria. Queria dizer que não dava mais, que não podia, que ele deveria sofrer esquecendo-a, que teria que se contentar com sua amizade. Sabia que aquela promessa já estava quebrada antes mesmo de se concretizar. Mas o que poderia fazer se ela não gostava dele, se ela na verdade, o amava?
terça-feira, 7 de junho de 2011
Sobre você, em terceira pessoa.
Se é para falar de vícios, devemos começar pelas pílulas, livros, um bom lugar sujo à meia luz, um copo de bebida e insônia.
Não, não são estes os meus vícios, não seja tolo. Já deveria ter notado que estou falando de você, mas você como sempre é tão estúpido...
Meu vício é você. O que iniciou este monólogo é apenas o que ficou no lugar de você. Não, não deveria ter usado 'no seu lugar', já não disse que estamos falando de você, em terceira pessoa, não em segunda, como pensaste?
Como sempre, você tão estúpido....
Bem, pois é, você tem me faltado tanto. Tenho desejado você, quando será que ele volta?
Não, não são estes os meus vícios, não seja tolo. Já deveria ter notado que estou falando de você, mas você como sempre é tão estúpido...
Meu vício é você. O que iniciou este monólogo é apenas o que ficou no lugar de você. Não, não deveria ter usado 'no seu lugar', já não disse que estamos falando de você, em terceira pessoa, não em segunda, como pensaste?
Como sempre, você tão estúpido....
Bem, pois é, você tem me faltado tanto. Tenho desejado você, quando será que ele volta?
sábado, 4 de junho de 2011
Sobra tanta falta
"Sobra tanta falta de paciência que me desespero
Sobram tantas meias-verdades que guardo pra mim mesmo
Sobram tantos medos que nem me protejo mais
Sobra tanto espaço, dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer que nunca consigo."
Sobram tantas meias-verdades que guardo pra mim mesmo
Sobram tantos medos que nem me protejo mais
Sobra tanto espaço, dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer que nunca consigo."
Sobra tanta falta - O teatro mágico
Porque cansa. Todo o desafeto que me destes, cansa.
Cansa e falta. Falta tanto que chega sobrar. Sobra todas as noites em que esperei junto as estrelas. Sobra todas aquelas pequenas marés que jorraram dos olhos, aquela água salgada quase inodora.Sobra as promessas, palavras que estavam tão intimamente ligadas que faltou nexo. Sobra horas que se estendem por sessenta minutos. Sobra sonhos, que se construíram na falta.Sobra batidas de coração, já que o mesmo não bate mais na mesma frequência. Sobra memórias que de tão repetidas estão se esvaindo. Sobra palavras, todas aquelas que foram ditas e ficaram por dizer. Sobra verdades que de tão camuflada se torna quase mentira. Sobra o silêncio, o silêncio que insiste no teu eco. Sobra sono pois o sonhar já não é agradável. Sobra-se.
Sobra-se em um espaço completamente cheio do vazio. Vazio este que tens preenchido tanto... Tens preenchido a ausência que tanto me cansas, preenches o vazio do desafeto que me destes.... Mas falta, falta sobretudo o que mais me sobra, o amor.
"vai saber, quem souber, me salve"
Acúmulo
A gente acostuma e acumula, é.
É preciso autonomia. Às vezes custa-nos parar e bater o pé - na sua forma literal mesmo. Custa-nos, porque acostumamos e vamos apenas acumulando. Aceitamos, vendemo-nos à cultura do comodismo, e vamos acumulando. Nos acostumamos, porque é mais fácil. É mais fácil do que tentar, do que lutar, do que falhar.
Acostumar-se ao que não nós faz bem é um efeito acumulativo que a longo prazo começa a incomodar. Começa a doer, a machucar.
Custa-nos ter autonomia porque acostumamos à nossa submissão, por medo ou insegurança, nos colocamos atrás, atrás de opiniões, de pessoas, de esconderijos que criamos. Mas, é preciso, é necessário posicionar-se.
A vida é nossa, cada um sabe das dores e fantasias com que tem que viver, porque deveríamos então nos submeter ao outro? Ninguém jamais saberá o que acontece em nosso próprio mundo, por isso não podemos deixar o externo ter poder sobre o nosso interior.
Chega de acumular. Acumular o que não se deve, o que não se quer, o que não pode. Acumular o que perturba, o que incomoda.
Pensar em si um pouco mais não é egoísmo, é amor-próprio.
É preciso autonomia. Às vezes custa-nos parar e bater o pé - na sua forma literal mesmo. Custa-nos, porque acostumamos e vamos apenas acumulando. Aceitamos, vendemo-nos à cultura do comodismo, e vamos acumulando. Nos acostumamos, porque é mais fácil. É mais fácil do que tentar, do que lutar, do que falhar.
Acostumar-se ao que não nós faz bem é um efeito acumulativo que a longo prazo começa a incomodar. Começa a doer, a machucar.
Custa-nos ter autonomia porque acostumamos à nossa submissão, por medo ou insegurança, nos colocamos atrás, atrás de opiniões, de pessoas, de esconderijos que criamos. Mas, é preciso, é necessário posicionar-se.
A vida é nossa, cada um sabe das dores e fantasias com que tem que viver, porque deveríamos então nos submeter ao outro? Ninguém jamais saberá o que acontece em nosso próprio mundo, por isso não podemos deixar o externo ter poder sobre o nosso interior.
Chega de acumular. Acumular o que não se deve, o que não se quer, o que não pode. Acumular o que perturba, o que incomoda.
Pensar em si um pouco mais não é egoísmo, é amor-próprio.
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