"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."
- Clarice Lispector
Escritora de gaveta, das últimas folhas de um caderno, ou se quiser, de guardanapos. Pseudo-escritora. 18 invernos de muito sol. Leitora viciada. De rótulos de produtos à um bom livro de estante. Tem luxúria literária. Não muito eloquente. Eu-lírico confuso, estoriador e sentimental. Divide-se entre os poetas ultrarromânticos, a geração de 45 e o pós modernismo. Ainda não descobriu qual o veste melhor.
Gosta da chuva que cai escurecendo o céu. Gosta de falar sobre o que não sente, o que não conhece e sobre o impossível. Prefere a noite, pois quando a pressa do cotidiano se vai, sobra a escuridão e a calmaria. Quando escreve sempre pensa estar em uma mesa de um lugar à meia luz de vela, com um xícara suja de café, ou um copo de uísque, um cigarro em uma mão e o lápis na outra. É intensa, tem um coração secular. Vive várias vidas e acredita em todas elas. É idealista, acredita na possibilidade do impossível. Crítica, julga a gramática alheia embora a sua seja pobre. Crê no ceticismo. Gosta do atípico. Gosta de cores, mas vive com a ausência delas. Perfeccionista. Ouve o que os olhos dizem. Respeita-se por ser estranha. Existencialista. Sonha ser errante, vive séssil. Rouba sonhos. Sonhadora inconstante, sonha tanto que duvida do que é real. Introspectiva. Adepta do fluxo de consciência. Aspirante a escritora. Espírito inquieto, sorriso infantil. Absorve o mundo pelo seu eu interior e procura constantemente conhecê-lo melhor. Gosta de surpreender-se, por isso planeja seus dias. Misteriosa ao ponto de não se conhecer. Tem medos e fobias estranhas. Ama o que não está no foco da luz. Intuitiva. Acredita que cada ser humano tem uma essência. Caminha vacilando entre a insanidade e a lucidez. Tende a ser lunática. Morreria se perdesse a capacidade de imaginar. Em uma sala cheia com pessoas conversando, abstrai-se em seu mundo. Raramente ouve o que as pessoas dizem, mas vive escutando-as. Distrai-se com o ar. Conversa consigo mesma. Controla a respiração. Maníaca. Conhece-se pelas manias que tem. Perde-se constantemente. Indecisa. Impetuosa.Malabarista, gosta de equilibrar o mundo em suas mãos. Sorri, porque sabe o quanto pode esconder em um sorriso. Cria suas próprias teorias pelo prazer de contradizê-las.Contraditória. Gosta do que não existe. Tem a sensação de sentir tudo o que está no mundo. Sofre por nunca parar de pensar. Memória seletiva, quase fraca, esquece-se do que não deveria e por isso vive um mesmo momento várias vezes. Irônica. Julga e condena-se a si mesma. Tem uma fraqueza por Engenheiros do Hawaii e por quem os escuta. Na verdade, acha atrativo bom gosto musical. Tem dias que vai de rock, tem dias que volta de música clássica. Tem dias que escreve no sexo oposto, só para sentir o gosto. Está sempre escrevendo uma história em sua cabeça. Lê histórias e acredita vivê-las. Fica quieta de repente e é neste instante que mil e uma coisas passam por sua cabeça. É a soma das histórias que lê,de tudo que vê, das pessoas que admira, do que quer ser e do que realmente é. Nunca terminará de escrever sua história.
Pseudo-escritores não sabem escrever, nem mesmo sabem falar sobre si mesmos.
ps.: O Eu lírico é um termo usado dentro da literatura para demonstrar o pensamento geral daquele que está narrando o texto; A junção de todos os sentimentos, expressões, opiniões e críticas feitas pela pessoa superior ao texto, que no caso seria o narrador e/ou a pessoa central ao qual o texto está se referindo. O Eu-lírico é o "eu" que fala na poesia. É geralmente muito usado em textos de gênero lírico, que são caracterizados por expressar, mas não necessariamente, os sentimentos do autor. Fonte: wikipedia.