sexta-feira, 21 de agosto de 2009

tentativa de soneto

São os mesmos dias, talvez os mesmo acontecimentos,
quem sabe, as mesmas flores e paisagens,
ou até os mesmos sentimentos.
Aquele mesmo álbum, cheio de fotos e colagens.

Naquele banco onde senta-se a nostalgia,
daquelas palavras que os ventos alísios sopraram
deixando aqui somente a calmaria.
tudo está o mesmo, mas parece que algumas coisas mudaram.

Cadê os personagens que compõe essa história?
e quem escreverá a poesia?
pr'onde foram os momentos que me recorda a memória?

Não há nada de tão mutável,
nada que se possa lamentar,
só há saudades do que não vai mais voltar.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

consumindo


Assim como fogo eu vou me consumindo, como o fogo que devasta e destrói, o mesmo fogo que causa inúmeras destruições. Assim como o fogo, que se inicia de faíscas, se alimenta do oxigênio comburente, até tornar-se um fogaréu, eu vou me alimentando. Assim como o fogo que queima os que aproximam, assim como o fogo que consome e devasta, queima e aquece, pode ser receptivo ou agressivo, encantador ou perigoso. Assim como o fogo que se propaga rapidamente, consumindo tudo o que há por perto, destruíndo tudo por onde passa. E assim como o fogo que se não controlado, pode ser desvairado. Assim como o fogo, vou me consumindo.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

história

Eu sou a soma de vários personagens que desconheço, copio dos livros que leio, vejo seu jeito e nunca mais esqueço. As histórias são o que me compõe, e na verdade só a minha história que ainda não criei. E talvez eu devore os livros, por desejar um vida igual. Sair da rotina, dos amores cotidianos, do amor normal.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Tudo passa

Tudo passa,
cores, objetos, momentos, pessoas, sentimentos.
Horas, vento, tempestade, dor.
Alegria, dias, músicas.
A efemeridade é constante.
E o que é constante, é só que tudo passa,
nada se firma por muito tempo.
O que se firmar, alguma hora há de passar.
Se não passar, é porque ainda não é o fim.
O tempo voa, e quase nunca perdoa.
A música toca, e chega ao fim.
O filme começa, mas finda.
O dia começa, quando a noite acaba.
E se a noite chegou, é sinal de que o dia passou.
O frio acaba, e o calor também.
Tudo passa, é só esperar pelo novo outra vez.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Fogo e Gelo

Alguns

dizem

que o mundo

acabará em fogo,

Outros dizem em gelo.

Pelo que provei do desejo

Fico com quem prefere o fogo.

Mas, se tivesse de perecer duas vezes,

Acho que conheço o bastante do ódio

Para saber que a ruína pelo gelo

Também seria ótima

E bastaria.



Robert Frost


Eclipse.

sábado, 1 de agosto de 2009

Despedidas.

Silenciosa, dolorosa, feliz, aliviada, magoada, melancólica, inquietante, perigosa, saudável .De uma pessoa, de um sentimento, de objetos, de dias, de horas e minutos, de momentos, de lembranças, da saudade. Despedir, de mim mesma, de quem eu era, de quem fui, ou quem eu queria ser. Despedir de um sono, de um sonho que se foi, de um pesadelo que parecia não ter fim. Despedir da cama, da chuva, do sol, de um livro,do medo, da alegria, das dores ou lágrimas. Despedir da vida, da infância, da inocência. Despedir do amor, dos pais, do dia, da noite ou amigos. Eu deveria saber que cada despedida representaria o abandono de algo, e talvez despedir fosse igualmente doloroso à saudade. A saudade que é o que fica, das coisas que tive que me despedir. Talvez essas despedidas seja uma forma de recomeçar, pois em algum momento, eu preciso despedir e deixar pra trás, e aprender a viver sem aquilo e sem olhar para trás. E das despedidas que nunca foram feitas, ditas, essas doem tanto quanto as silenciosas. Despedir tornou-se algo tão natural como respirar, à cada momento tenho que me despedir da hora que passou e jamais voltará. E a pior parte de despedir é ter que fazer isso todos os dias, a toda hora. É despedir sem olhar pra trás, sem esperar que volte. Ou talvez despedir, com a esperança de que volte. É tão natural, mas ainda me vejo partir sempre que tenho que me despedir.