Há uma razão pelo prazer em cair.
A força que o ar exerce sobre todo o corpo. Como se quisesse segurá-lo, como se pudesse.
O sentimento de deixar tudo para trás, e literalmente, cair de cara.
Enfrentar. Estar indefeso, sem ação.
Ser corajoso.
Deixar no alto a característica de covarde.
A força da gravidade. Te puxa, te deseja, te aproxima do solo.
O impacto. O encontro com o solo, a força com que é atingido.
Quebrar-se.
Levantar-se. Falta impulso, falta coragem.
Mas levanta-se, levanta-se pelo gosto de cair novamente.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Ama-se
Quando se ama,
ama-se pelo cheiro, pelo som do silêncio, pela voz. Ama-se com a certeza, pela dúvida. Ama-se pela paz que se conquista ou pela perturbação que lhe é proporcionado, ama-se pela companhia, pelo contato, pelo piscar de olhos. Ama-se pela insônia, pelo 'sonhar acordado'. Ama-se por empatia, por antipatia. Ama-se pelo bocejar, pelo cair das lágrimas, pelo estouro de um sorriso. Ama-se pelo toque, pelo andar desajeitado, pelo riso espontâneo. Ama-se pela loucura, pelo desentendimento, pelo compatibilidade. Ama-se pela afinidade, pela infinidade, pela eternidade. Ama-se pelo magnetismo, pela ressonância. Ama-se pela liberdade, pelo aprisionamento de amar. Ama-se, por assim, ser. Ama-se pela proximidade, ama-se por não saber o que sentir.
Ama-se porque ao amar, ama-se a si próprio e ama-se a vida, o outro, o mundo. Simplesmente, ama-se.
ama-se pelo cheiro, pelo som do silêncio, pela voz. Ama-se com a certeza, pela dúvida. Ama-se pela paz que se conquista ou pela perturbação que lhe é proporcionado, ama-se pela companhia, pelo contato, pelo piscar de olhos. Ama-se pela insônia, pelo 'sonhar acordado'. Ama-se por empatia, por antipatia. Ama-se pelo bocejar, pelo cair das lágrimas, pelo estouro de um sorriso. Ama-se pelo toque, pelo andar desajeitado, pelo riso espontâneo. Ama-se pela loucura, pelo desentendimento, pelo compatibilidade. Ama-se pela afinidade, pela infinidade, pela eternidade. Ama-se pelo magnetismo, pela ressonância. Ama-se pela liberdade, pelo aprisionamento de amar. Ama-se, por assim, ser. Ama-se pela proximidade, ama-se por não saber o que sentir.
Ama-se porque ao amar, ama-se a si próprio e ama-se a vida, o outro, o mundo. Simplesmente, ama-se.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
16/05 - Happy Birthday, R.
Ah, hoje é seu aniversário.
Estamos iguais agora, 17x17 por pouco tempo eu sei.
Bem, é só que você tem certa importância na minha vida, apesar do pouco tempo em que está nela.
Você é a contradição mais indecifrável que conheço, é dotada de força mas se derrete como qualquer garota. É super crítica e ainda assim faz besteiras. Mas apesar de tudo, é companheira. Não daquele tipo companheira e companheira e fdp e fdp, mas do tipo eu tô lá se tudo der merda, sabe?
Eu nunca vou esquecer daquela segunda-feira de merda, em que você me deu aquela notícia com palavras e gestos duros, mas me deu o abraço mais significativo, e não me fez chorar.
Você sabe, que aquelas férias de julho foram inesquecíveis, e você sabe o porquê. Nós bebemos e fizemos outras coisas, fizemos coisas das quais não lembramos, coisas das quais arrependemos, nós trocamos o dia pela noite, passamos noites lado a lado conversando via internet e desafogando o coração. Nós compartilhamos roupas, intimidades, sonhos, medos, músicas, loucuras e segredos. Nós sorrimos, muito mais do que choramos, embora estivéssemos de coração partido. Nós estivemos lá, juntas, tendo a melhor férias de nossas vidas.
R, você sabe que eu te amo por muitas razões, mas o fato de você ainda estar aqui quando foi a amizade de vocês a minha opção em vez do amor, me faz perceber que eu fiz a escolha certa e que eu amo você.
Feliz aniversário, gordinha, gatinha, bitch. Você sabe que eu desejo o melhor, o melhor mesmo.
Te amo,
P.
Estamos iguais agora, 17x17 por pouco tempo eu sei.
Bem, é só que você tem certa importância na minha vida, apesar do pouco tempo em que está nela.
Você é a contradição mais indecifrável que conheço, é dotada de força mas se derrete como qualquer garota. É super crítica e ainda assim faz besteiras. Mas apesar de tudo, é companheira. Não daquele tipo companheira e companheira e fdp e fdp, mas do tipo eu tô lá se tudo der merda, sabe?
Eu nunca vou esquecer daquela segunda-feira de merda, em que você me deu aquela notícia com palavras e gestos duros, mas me deu o abraço mais significativo, e não me fez chorar.
Você sabe, que aquelas férias de julho foram inesquecíveis, e você sabe o porquê. Nós bebemos e
R, você sabe que eu te amo por muitas razões, mas o fato de você ainda estar aqui quando foi a amizade de vocês a minha opção em vez do amor, me faz perceber que eu fiz a escolha certa e que eu amo você.
Feliz aniversário, gordinha, gatinha, bitch. Você sabe que eu desejo o melhor, o melhor mesmo.
Te amo,
P.
domingo, 15 de maio de 2011
UFG - 2011/2
15/05/2011
Processo seletivo 2001/2 da UFG, e sim também foi aniversário da minha irmã.
Acho que eu posso me acostumar com isso. Bem, não há tanta pressão quando se sabe que não é seu vestibular, e embora eu esteja no terceiro ano, isto meio que me assusta. E se toda pressão se concentrar no meu vestibular do final do ano?
Só espero que eu possa fazê-lo como fiz este e o anterior, com a calma que me foi permitida.
Cumpri uma de minhas metas, fechar uma matéria da UFG, e tudo bem que foi inglês. Mas, eu fiz 90% da prova de biologia e isso ajudou muito. O restante das matérias fui mediana, medíocre. Embora tenho conseguido fazer mais de 50% da prova, tenho muito o que melhorar. Meu curso é o mais concorrido, e se eu não me esforçar um pouco mais não vou conseguir, sei disso.
Mas, o fato é que já estou entrando no 'esquema' da prova, parece que já a conheço.
O fato é que, desejo profundamente ir para a segunda fase, e ainda que muitos tenham dito que foi fácil, acho que não foi tão fácil assim. E acredito que o ponto de corte vá subir. Mas até lá, é outra história.
Quero muito ser incentivada a estudar, mas acho que tenho contado apenas com meus esforços mesmo - ainda que venham sendo tão medíocres - e acredito que talvez eu consiga, esse sonho, tão almejado por tantos outros.
Entrar na UFG é mais que um sonho qualquer, é por questão ideológica. Quero estar lá para poder fazer protesto, quero seguir a linha marxista, quero defender as classes. Tenho medo de ir para a PUC e vender meu ponto de vista, vender minha ideologia e deixar que o mundo me transforme antes que eu possa transformá-lo. Por isso, desejo tanto ir para lá. Não é só porque não terei que pagar - não diretamente - mas porque é fascinante poder ser uma em tantos outros. Se destacar por algo que você lutou, que você se mostrou capaz. Porque será fascinante não ter que entregar um boleto de quase mil reais para meus pais pagarem... Porque será algo que eu farei por mim, para mim, e terei conseguido por meus méritos e lógico o apoio que recebi de todos... Porque poderei dar o direito aos meus pais se orgulharem...Bem, é só que, é um sonho e sonhos não se explicam...
15/05/2011 - Happy Birthday, L
É, hoje é seu aniversário.
E sendo hoje o seu dia, é só queria poder desejar que eu jamais tenha que te ver sem este seu sorriso. Sorriso este que abre mundo, desperta paixões. Sorriso este que é a razão de tantas outras razões, de tantos outros sorrisos.
Lua, ser astro não é fácil. Ser a estrela que és estão... é quase impossível. Alguns dizem que você é petulante, pois eu digo, você o é. Mas não o digo como todos os outros, que apontam como defeito. Acho uma qualidade até. Pois a petulância lhe confere a certeza, a confiança em si mesma, e a faz acreditar em si, em lutar por si.
Bem, que seja petulante então.
Lua, ser sua irmã não é fácil, enquanto és lua, sou sol. Mas quem foi que disse que seríamos iguais? Quem foi que disse que teríamos que ser iguais... o que mais gosto e de nos encontrarmos na nossa diferença.
Lua, siga brilhando, como estrela, como astro. Seja forte, pois ser forte é para poucos. E Lute, lute sempre, lute ainda que perca, mas lute para ter o prazer de poder dizer: " tenho coragem para lutar".
Lua, ser feliz não é fácil, mas às vezes é tão simples, e você torna isso ainda mais fácil. Se fostes feliz, garantirás que muitos outras pessoas também seja... incluindo eu.
Foi você minha primeira motivação para me tornar quem sou, para me esforçar e poder ser tão inteligente ou tão boa quanto você.
Lua, feliz aniversário, e que o sopro deste te traga muitos outros anos conosco.
Te amo...
E sendo hoje o seu dia, é só queria poder desejar que eu jamais tenha que te ver sem este seu sorriso. Sorriso este que abre mundo, desperta paixões. Sorriso este que é a razão de tantas outras razões, de tantos outros sorrisos.
Lua, ser astro não é fácil. Ser a estrela que és estão... é quase impossível. Alguns dizem que você é petulante, pois eu digo, você o é. Mas não o digo como todos os outros, que apontam como defeito. Acho uma qualidade até. Pois a petulância lhe confere a certeza, a confiança em si mesma, e a faz acreditar em si, em lutar por si.
Bem, que seja petulante então.
Lua, ser sua irmã não é fácil, enquanto és lua, sou sol. Mas quem foi que disse que seríamos iguais? Quem foi que disse que teríamos que ser iguais... o que mais gosto e de nos encontrarmos na nossa diferença.
Lua, siga brilhando, como estrela, como astro. Seja forte, pois ser forte é para poucos. E Lute, lute sempre, lute ainda que perca, mas lute para ter o prazer de poder dizer: " tenho coragem para lutar".
Lua, ser feliz não é fácil, mas às vezes é tão simples, e você torna isso ainda mais fácil. Se fostes feliz, garantirás que muitos outras pessoas também seja... incluindo eu.
Foi você minha primeira motivação para me tornar quem sou, para me esforçar e poder ser tão inteligente ou tão boa quanto você.
Lua, feliz aniversário, e que o sopro deste te traga muitos outros anos conosco.
Te amo...
P.
sábado, 14 de maio de 2011
E se eu disser - Ivan Junqueira
E se eu disser - Ivan Junqueira
E se eu disser que te amo - assim, de cara,
sem mais delonga ou tímidos rodeios,
sem nem saber se a confissão te enfara
ou se te apraz o emprego de tais meios?
E se eu disser que sonho com teus seios,
teu ventre, tuas coxas, tua clara
maneira de sorrir, os lábios cheios
da luz que escorre de uma estrela rara?
E se eu disser que à noite não consigo
sequer adormecer porque me agarro
à imagem que de ti em vão persigo?
Pois eis que o digo, amor. E logo esbarro
em tua ausência - essa lâmina exata
que me penetra e fere e sangra e mata.
sem mais delonga ou tímidos rodeios,
sem nem saber se a confissão te enfara
ou se te apraz o emprego de tais meios?
E se eu disser que sonho com teus seios,
teu ventre, tuas coxas, tua clara
maneira de sorrir, os lábios cheios
da luz que escorre de uma estrela rara?
E se eu disser que à noite não consigo
sequer adormecer porque me agarro
à imagem que de ti em vão persigo?
Pois eis que o digo, amor. E logo esbarro
em tua ausência - essa lâmina exata
que me penetra e fere e sangra e mata.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Entre quases
"Mas o quase tudo quase sempre é quase nada"
Engenheiros do Hawaii
Cabe tanto entre um quase. Quase amor, significa que ainda não é e que talvez nunca venha a ser. Quase feliz demonstra que não se é feliz ainda. Quase ganhar, significa que perdeu. Quase perder significa que ainda é seu. Quase é insuficiência, é carência, é necessidade. Quase é inconstância, é incerteza.
Entre um quase, cabe um nunca. Entre quase, cabe sempre. Entre um quase cabe a dúvida, e entre um quase cabe tantos outros quase, e eu quase não sei o que cabe. Mas, o quase é quase insignificante, e quase sempre é quase importante. .
sábado, 7 de maio de 2011
Ele & Ela
Ela estava vindo. Caminhava como sempre, embora com passos lentos, estes revelavam a sua ânsia de chegar aonde queria, contudo eram desajeitados. Ele a esperava sorrindo, como sempre irritavelmente paciente. Ergueu um pouco o olhar, sorrindo meio de lado, um sorriso tímido talvez. Ela não sorriu, estava a poucos passos dele e ainda assim caminhava seriamente, concentrada, como se caminhar fosse um exercício perigoso.A um passo de distância porém, ela ergueu o olhar, encontrou os dele analisando-a, esperando um sorriso de retribuição, e este veio sem esforço, veio como as ondas avançam sobre a areia, veio com sinceridade, com pressa de se exibir no rosto dela. Se ela soubesse o poder daquele sorriso...
Era um sorriso infantil, aquele que a criança abre quando gargalha, sem o som. Era inocente também, mas seus olhos eram indecentes, e o conjunto da sua expressão tornaria qualquer um presa fácil. De abrupto, o abraçou, sem nada falar. Era assim mesmo, não pedia, não falava, apenas fazia tudo no ímpeto de ser. Se tinha uma característica que o cativara era essa, a de ser impetuosa, petulante.
Ela vivia sempre em seu mundo, sendo por vezes expectadora dele, mas algumas raras vezes convidava alguém para entrar. Acostumada ao seu mundo, qualquer outro perdia-se nele. Ela esquecia-se de explicar, de interagir com o outro, com o exterior, apenas continuava com seu show... seu show particular. Ele gostava disso, de se ver perdido, de se ver entregue, de ser o expectador, de sempre se surpreender com o roteiro. Por isso era petulante, agia no ímpeto, agia pois em seu mundo, era tudo esclarecido, porque para os outros não seria então?
Ele lembrava-se do primeiro beijo, em um dia olhando o céu distraidamente, perguntou se ele se perguntava qual era o gosto das nuvens. Enquanto ele ainda digeria a pergunta, ela entrou em seus olhos e avançou em seus lábios. Simplesmente o beijou. E quando terminou, respondeu sua própria pergunta, como se o beijo fizesse parte da resposta ou talvez nem tivesse acontecido, dizendo que, achava que algodão doce não era nada comparado às nuvens.
Ela arrancou dos lábios o sorriso, tinha a expressão intrigante, e portanto abraçou-o infantilmente. Pediu para ficar ali, por um ou dois minutos. Ele a nada se opôs. Se tinha uma lugar seguro no mundo, esse lugar era exatamente ali, aquele abraço. De súbto, largou-o por um só momento, encostou-lhe a boca na sua por um tempo menor que o piscar de olhos e no momento seguinte puxava-a pelas mãos. Eles sentaram-se em um banco, ela tirou um livro da bolsa e começou a lê-lo, deitada no colo dele. Ele adorava isto, ficar olhando seus olhos engolirem as palavras, as páginas, o livro. Ele chegava a duvidar que era a única coisa em que prestava atenção por mais de um minuto, e além do mais, sabia que não prestava 100% de atenção, pois ora ou outra surgia com um assunto totalmente diferente do livro. Ele ainda assim gostava desses momentos. Invejava os livros por ter mais atenção e concentração dela do que ele jamais teve. Às vezes enquanto falava sabia que ela estava pensando em coisas diferentes, no entanto o contrapunha sem piedade, e defendia seu ponto de vista com veracidade que até ele mesmo duvidava de si.
Ele tinha a certeza de que ela o dominava e que ela tinha ciência disto. Ela o dominava porque não era como qualquer garota, porque contrariava suas expectativas, porque o confrontava sem medo. O dominava pois ligava no meio da noite para dizer que decidiu dar a uma estrela quase apagada o seu nome. Que ele se levantasse e olhasse, pois aquela estrela existiu a tempos atrás, e ainda assim brilhava, e assim seria ela, ela dizia. Ela o dominava porque ela vivia se perdendo, vivia perguntando coisas como gosto de nuvens, cheiro do arco-íris, ou se acreditava em destino, sorte, ou karma. Ela o dominava pois com ela, ele era todo dúvidas. Com ela a única certeza que tinha era que não tinha certeza alguma. Ela o dominava pois ele a amava, e sabia - não sabendo explicar como ou porquê- que era um amor recíproco. Ele a amava pois ela era tudo o que queria ser, a amava pois ela não explicava ou pedia desculpas por ser como é. Ele a amava porque amá-la era o que o tornava quem ele era.
Era um sorriso infantil, aquele que a criança abre quando gargalha, sem o som. Era inocente também, mas seus olhos eram indecentes, e o conjunto da sua expressão tornaria qualquer um presa fácil. De abrupto, o abraçou, sem nada falar. Era assim mesmo, não pedia, não falava, apenas fazia tudo no ímpeto de ser. Se tinha uma característica que o cativara era essa, a de ser impetuosa, petulante.
Ela vivia sempre em seu mundo, sendo por vezes expectadora dele, mas algumas raras vezes convidava alguém para entrar. Acostumada ao seu mundo, qualquer outro perdia-se nele. Ela esquecia-se de explicar, de interagir com o outro, com o exterior, apenas continuava com seu show... seu show particular. Ele gostava disso, de se ver perdido, de se ver entregue, de ser o expectador, de sempre se surpreender com o roteiro. Por isso era petulante, agia no ímpeto, agia pois em seu mundo, era tudo esclarecido, porque para os outros não seria então?
Ele lembrava-se do primeiro beijo, em um dia olhando o céu distraidamente, perguntou se ele se perguntava qual era o gosto das nuvens. Enquanto ele ainda digeria a pergunta, ela entrou em seus olhos e avançou em seus lábios. Simplesmente o beijou. E quando terminou, respondeu sua própria pergunta, como se o beijo fizesse parte da resposta ou talvez nem tivesse acontecido, dizendo que, achava que algodão doce não era nada comparado às nuvens.
Ela arrancou dos lábios o sorriso, tinha a expressão intrigante, e portanto abraçou-o infantilmente. Pediu para ficar ali, por um ou dois minutos. Ele a nada se opôs. Se tinha uma lugar seguro no mundo, esse lugar era exatamente ali, aquele abraço. De súbto, largou-o por um só momento, encostou-lhe a boca na sua por um tempo menor que o piscar de olhos e no momento seguinte puxava-a pelas mãos. Eles sentaram-se em um banco, ela tirou um livro da bolsa e começou a lê-lo, deitada no colo dele. Ele adorava isto, ficar olhando seus olhos engolirem as palavras, as páginas, o livro. Ele chegava a duvidar que era a única coisa em que prestava atenção por mais de um minuto, e além do mais, sabia que não prestava 100% de atenção, pois ora ou outra surgia com um assunto totalmente diferente do livro. Ele ainda assim gostava desses momentos. Invejava os livros por ter mais atenção e concentração dela do que ele jamais teve. Às vezes enquanto falava sabia que ela estava pensando em coisas diferentes, no entanto o contrapunha sem piedade, e defendia seu ponto de vista com veracidade que até ele mesmo duvidava de si.
Ele tinha a certeza de que ela o dominava e que ela tinha ciência disto. Ela o dominava porque não era como qualquer garota, porque contrariava suas expectativas, porque o confrontava sem medo. O dominava pois ligava no meio da noite para dizer que decidiu dar a uma estrela quase apagada o seu nome. Que ele se levantasse e olhasse, pois aquela estrela existiu a tempos atrás, e ainda assim brilhava, e assim seria ela, ela dizia. Ela o dominava porque ela vivia se perdendo, vivia perguntando coisas como gosto de nuvens, cheiro do arco-íris, ou se acreditava em destino, sorte, ou karma. Ela o dominava pois com ela, ele era todo dúvidas. Com ela a única certeza que tinha era que não tinha certeza alguma. Ela o dominava pois ele a amava, e sabia - não sabendo explicar como ou porquê- que era um amor recíproco. Ele a amava pois ela era tudo o que queria ser, a amava pois ela não explicava ou pedia desculpas por ser como é. Ele a amava porque amá-la era o que o tornava quem ele era.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Menina
Era menina, dessas bem meninas mesmo. Gostava de fazer meninices...
Era menina pois ainda que em um corpo de mulher, se fazia assim. Sorria aquele sorriso infantil, brincava com o próprio cabelo e se distraía em seu próprio mundo. Aliás, distrair era algo que fazia com frequência, se estivesse em um assunto, se pegava a uma palavra e assim aquele assunto era perdido, ou ela percorria mundos imaginários ou mudava subtamente de assunto. Ria sozinha - quase sempre- o que demostrava que era feliz consigo mesma. Ao sorrir, as bochechas não permitiam que os olhos ficassem abertos. Quem a visse de longe chegava a duvidar que falasse sozinha, talvez suspeitassem que tivesse amigos imaginários - o que não seria improvável. Era satisfeita. Seu maior defeito era acostumar-se. Acostumava com tudo, qualquer que fosse a situação a que fosse submetida. Mas era menina, menina moleca, sabe? Que gosta de ser feliz, que mesmo depois de grande, era menina por causa do riso, do conjunto que era, por causa que se surpreendia facilmente com as bobagens da vida. Era menina pois via no palhaço magia que só menina vê. Era menina pois sonhava, sonhava, sonhava e sonhava, e sonhar é o que mais a tornava menina.
Era menina pois ainda que em um corpo de mulher, se fazia assim. Sorria aquele sorriso infantil, brincava com o próprio cabelo e se distraía em seu próprio mundo. Aliás, distrair era algo que fazia com frequência, se estivesse em um assunto, se pegava a uma palavra e assim aquele assunto era perdido, ou ela percorria mundos imaginários ou mudava subtamente de assunto. Ria sozinha - quase sempre- o que demostrava que era feliz consigo mesma. Ao sorrir, as bochechas não permitiam que os olhos ficassem abertos. Quem a visse de longe chegava a duvidar que falasse sozinha, talvez suspeitassem que tivesse amigos imaginários - o que não seria improvável. Era satisfeita. Seu maior defeito era acostumar-se. Acostumava com tudo, qualquer que fosse a situação a que fosse submetida. Mas era menina, menina moleca, sabe? Que gosta de ser feliz, que mesmo depois de grande, era menina por causa do riso, do conjunto que era, por causa que se surpreendia facilmente com as bobagens da vida. Era menina pois via no palhaço magia que só menina vê. Era menina pois sonhava, sonhava, sonhava e sonhava, e sonhar é o que mais a tornava menina.
Veio como se são quisesse vir, mas veio em paz, no silêncio.
Ficou como se quisesse partir, como se precisasse ficar, como se não pertencesse a outro lugar.
Se foi como se devesse ir, como se ansiasse por mais, foi com um adeus silenciado, como se preferisse ter ficado.
Deixou um silêncio pertubado, um grito calado, uma paz exaustiva, um choro sufocado, uma vazio não justificado...
Ficou como se quisesse partir, como se precisasse ficar, como se não pertencesse a outro lugar.
Se foi como se devesse ir, como se ansiasse por mais, foi com um adeus silenciado, como se preferisse ter ficado.
Deixou um silêncio pertubado, um grito calado, uma paz exaustiva, um choro sufocado, uma vazio não justificado...
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