segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Cartas para Charles I




Charles,
    Tu não voltastes. Nem no dia seguinte, na semana que passou, no mês que procedeu e nem duas estações depois. Tu deveria ter voltado, mas não o fez. Procurei ignorar à princípio, encher-me com conversinhas de porta de rua e dar jantares para toda a família, mas tua ausência foi maior. Faltou você aqui, como faltou pó de café no pote, na garrafa e na xícara de café da manhã. Faltou café quente, você na cama, no sofá e dando beijos no portão.

    Tu ficastes de voltar, mas não o fizestes. Repito por ênfase e para culpá-lo. Para preencher-me com os hiatos que deixastes na minha vida, comecei a fazer análises críticas sobre os ensaios do nosso relacionamento. Julguei pelos teus defeitos que seria fácil esquecê-lo, comecei a apegar-me à eles, e, no fim, transformaram-se em suas melhores qualidade.
    Ontem encontrei uma blusa sua, suja e esnobando teu cheiro, e decidi que desisto. Charles, eu sinto sua falta. Decidi que sinto sua falta como sentirás da tua camisa preferida que está agora em meu corpo que sua frio em minha pele nua. Decidi que te amo, e que para este mal talvez não há cura.
    Charles, tua falta me faz regressar aos pesadelos de abandono. Eles se curaram enquanto estivestes aqui, e se intensificaram desde que se foi. Ah, Charles, se soubesses que a conversa de porta de rua aumentou desde que me deixou. Os vizinhos reclamam tua falta, se atreveram a dizer que fiquei pouco humorada desde a última vez que me viram com você.
    Mas, Charles, a gente se pertencia. Fosse pelo destino ou por vontade, a gente se pertencia. E sabíamos nos pertencer, cada qual pertencente mais ao outro do que a si próprio. E a gente se perdeu. Seja novamente por destino ou vontade - tua é claro -  a gente se perdeu. Talvez estejamos perdidos ainda, e nos encontraremos juntos.
Pelo desespero com que se foi, atrevo-me a desejar que ainda há de voltar. Tu voltas, não voltas? Pela tua camisa ou pra um último café. Volta, que é pra eu sorrir, e quem sabe, não te faça ficar. Teu livro ainda está naquela página marcada, tua toalha dependura no box do banheiro, e teu cheiro está em toda casa - no meu travesseiro, no lençol e em cada amanhecer.
    Charles, sei que não é certo pensar em ti tanto assim. Sei que essa saudade ainda me afogará com todas as lágrimas que vem se derramando pela tua falta. Mas, Charles, meu querido Charles, é maior do que eu. Eu te amo, te amo, e é tanto, que tanto já perdeu a intensidade. Charles, nos pertencemos, nos queremos, nos somos. Eu te pertenço, eu te quero e sou toda tu. Se não for um crime muito grande, que esta carta chegue com um cheiro meu, e que desperte em ti a saudade de mim, e que você a atenda e venha logo.



domingo, 28 de agosto de 2011

Estórias silenciadas, mas vividas mentalmente.







Viemos nesse jogo perfeito desde março ou abril, não sei. Nesse jogo pouco maduro e expositor, houve troca de olhares, conversas ambíguas, indiretas perfeitamente direta se analisadas de trás para frente. Tu, menino, tão mais novo que eu, por um ano apenas, se fez muito mais homem do que muitos dos de 20 e poucos que conheço por aí.
No dia-a-dia, tu me vinha sempre ao contrário. Se tava triste vinha sorrindo, se queria afago me fazia afastar, se queria proximidade me agredia. E eu te agredia com palavras e fisicamente. Estúpida de mim pensar que, embora com teu corpo extremamente magro, eu seria mais forte que você. Sempre virava a luta ao teu favor, me torcendo os braços e fazendo com que eu batesse em mim. Quanta raiva sentia de ti, e tu sorrias e dizia "ah, você se bate e eu que sou culpado?". Eu tinha que rir também, ficava brava com você poucas vezes.
Ficava brava quando vinha contando que tava de caso novo. Como assim ousava trair nossa relação? Que relação? Nossa brincadeira de querer com os olhos e manter essa vontade silenciada. Acho que tu contavas os detalhes para que eu sentisse raiva, que eu o odiasse e declarasse fim de jogo, aceitando a derrota. Pois, seria derrota se eu verbalizasse primeiro que queria, queria sim. Que eu gostava.
Não falei. Entrei de cara no jogo e fui vencendo. Dizia sorrindo, dissimulada e morrendo por dentro, que tomara que desse certo teu novo caso. Com a guria de outras histórias, com aquela da festa de outro dia, com a nova que conheceu. E sempre sorria, profunda e aliviadamente, quando seus casos não chegavam nem há um mês. Egoísmo meu, não nego. Não queria perder o jogo, nem tampouco te perder.
E tu me surpreendia todo dia. Sou assim boba mesmo, que se surpreende com obviedades. Como quando lembrei-me que não gostavas de pão de queijo, mesmo que houvesse dito apenas uma vez, e tu me olhou sorrindo e disse "você lembrou", meio impressionado por eu me lembrar de uma coisa tão idiota. E isso me surpreendeu, que você reparasse justamente nisso. Eu me surpreendia por quase tudo. Mesmo sabendo que do nosso grupo era o que tinha maior probabilidade, fiquei boba quando nos deixou porque conquistara aquilo que todos estamos (ainda) buscando. E eu sabia que você nos deixaria antes, tentei ganhar o jogo até lá. mas, a partir de um dia o jogo parou de fazer sentido. Comecei a perder ao ver que gostava demais daquilo, que queria que sacasse o que eu escondia e que ganhasse o jogo. Daí você saiu e ficamos no 0x0.
Eu deveria ter te intimado aquele dia que saímos juntos. Que ficamos cara a cara, cada um com uma coca e falando sobre o que gostávamos. Deveria ter te prendido na parede, de roubado um beijo e saído em seguida sem falar nada, que era pra eu não perder o jogo. Ou até mesmo naquela galeria de arte, te roubado por um tempo, e antes que alguém desse nossa falta, teríamos entregado o jogo. Ou deveria ter aceitado a derrota e dito que tu me atraia. Mesmo sendo menino e eu mais velha que tu. Porque tu era bem humorado.
Não foi justo hoje vir com tua carência enquanto eu curtia a minha. Conversas de madrugadas nunca são uma boa, sabia disso, mas arrisquei pelo gosto do proibido. E tu me entregou o que não deveria, eu falei o que não pudia. E fui eu quem primeiro perdeu, de forma proposital, porque não queria ser tão covarde quanto você.
A conversa terminou numa boa, mas ainda indefinidos, transitivos. Ficou acertado que tu é números e eu palavras. Que continuasse tua nova história e que minha vida se acertasse.  Que fique por acontecer, ou pelo que podia ser, porque foi bom de se viver até aqui. Que fique com a possibilidade do acaso. No entanto, resgatando aqueles sentimentos do primeiro semestre, que teu caso não dê certo e que tu venha acertar minha vida. Mas, venha rápido.

sábado, 27 de agosto de 2011

Deste lado da cidade, do alto do prédio.





No penúltimo andar de um prédio, em um apartamento quase inabitável, uma mulher evita a janela. Pela sala há roupas jogadas, sapatos largados e um corpo que se estira pelo sofá. Ao alcance de sua mão, o cinzeiro, e entre seus dedos um cigarro quase no fim. O corpo é o daqula que evita a janela. E tudo o mais também é dela. Até a vida que aos poucos vai se esvaindo de seus olhos.

Pela lembrança quase intocada, dá-se os últimos suspiros daquele amor que há alguns dias pegou as malas e disse adeus. E desde esses "alguns dias" restringiu suas atividades vitais àquele sofá já delineado com teu corpo, um pouco de café - que é para não dormir e não se esquecer da dor - e ao cigarro na boca. Falta tudo que nunca a preencheu, e ela sobrevive da tortura que ela mesma a infringe. Dá saudade do beijo e põe cigarro aceso na boca. Dá saudade do calor de outro corpo e bebe café frio. 

"Não deveria ter deixado-o partir". Não deveria mesmo, pois tudo veio desabando com tal velocidade que decidiu por desabar naquele sofá. A porta destrancada denuncia a vontade de que ele volte. E tudo o mais que está fora do lugar, também. "Amor, que droga é essa?"; falar de dor agora é fácil, pois esta toca-lhe a pele e adentro ao seu âmago. E dói. 

Evitar a janela já não é tão fácil. São 24 andares e se for até o terraço contará mais alguns. Mas, jurou nunca ser fraca o suficiente ao ponto de findar sua vida por amor. Era o que fazia resistir aquela tentação. "Não deveria ter deixado-o ir". "eu vou". "Não, não, eu resisto". 

"Você, com tuas manias estúpidas, me impede de ser feliz. Teu ciúme que me persegue a cada amanhecer, essa tua necessidade de apego e toda tua carência. Seja homem e faça o papel de um. Pare de mendigar por afeto, pare de me sufocar com cinco ligações matutinas, três vespertinas e umas duas noturnas até eu chegar. Não sejas tão sentimental, você não sabe que mulheres como eu não suportam isso? Pegue esses teus papéis, poesias não me comovem, histórias de amor também não. Amor, que coisa tola que tantos adoecem e tantos se enfraquecem. Não quero que diga que me ame sempre que eu acordar, só acorde e pronto. Está me sufocando toda essa sua necessidade de mim, me deixe ser leve, me deixe voar e respirar. Engula tuas poesias ultrarromânticas e acabe de vez com esse pessimismo, a vida não acaba quando eu não estou contigo."

Aquelas palavras que saíram direto da sua boca para esbofetar teu amante interlocutor arrancava-lhe a vida agora. Que palavras tolas, vinda de uma tola, de uma fraca. Que tolice de amor que agora a enfraquecia. Ele pegara apenas uma mala e ajuntou algumas poucas coisas e saíra. Fizera papel de homem não procurando-a. E agora lhe perseguia a imagem daquela face chorosa que nem implorou. Ele aceitava ser infeliz, mas torná-la infeliz jamais aceitaria. E por isso partiu. E como ela queria a fraqueza do amor, como queria aquele sufoco, aquela paixão desmedida, aquelas ligações - seu telefone tornara-se mudo desde então - queria tudo de volta. Queria era a carência dele e todos os "eu te amo" matinais. Mas, ele que de tão fraco de amor por ela, estava sendo forte para não alimentar a infelicidade dela. Mal sabia ele que ela planejava cair daquela janela, mas não queria acabar com a dor, porque aquela dor iria carregar sempre por culpar-se por perder o que mais a preencheu.


            - Da série: Que se finde a vida quando acaba o amor

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Happy birthday, Paula.

A gente cresce sempre querendo mexer no tempo. Se para o passado ou futuro, não importa, mas queremos tê-lo por pura posse e necessidade, porque o tempo ainda não conseguimos domá-lo. Aos 5 anos eu queria ter de volta os meus 3 para ter minha avó e minha mamadeira de volta. Aos 6 decidi que queria ter 10, porque minha irmã tinha 10 anos e eu também queria ter. Aos 10 queria ter 15 para deixar de vez a infância e ser adolescente, menina moça. Mas, aos 14 comecei a acreditar que não era tão legal esse acréscimo de anos…Aos 15 queria definitivamente meus 14. Aos 16 queria os 15 e aos 17 queria os 16, porquê meus 16 anos foram incríveis e daí vieram os 17. Dezessete é definitivamente uma idade legal. Mas, hoje vieram os 18, e como eu queria meus 17. 18 pesa mais por todo o rótulo que vem com ele e a responsabilidade quem vem de brinde. Fazer aniversários deveria ser bastante legal, mas há alguns anos não acho tanto. Adoro o dia 24 de agosto, adoro o carinho de todos que se lembram, mas festas de aniversário me deprimem. Não gosto das minhas festas de aniversário desde a dos 15. E todo ano eu tenho que fazer aniversário de novo, rs. Mas, que seja mais doce essa idade e que até eu me deitar que eu aceite com facilidade que os 18 chegaram e não há nada que eu possa fazer. 

sábado, 20 de agosto de 2011

Oito dias por semana, 365 dias por mês.






Tu veio caminhando com aquele estilo "alternativo", perguntastes meu nome e me passou teu número. Fiquei com cara de bobo, como qualquer homem ou moleque ficaria. Tu com teu 1,70m de altura, um corpão e um cabelo castanho pouco abaixo dos ombros, veio até mim e me deu teu número.

Não liguei no primeiro dia por pura covardia. Mulheres como você não ficam com caras como eu. Meus amigos ainda ajudaram, dizendo que deveria ser alguma brincadeira de mal gosto, algum trote. Não liguei. Tu me apareces na segunda semana e vem toda brava me perguntando porque eu não liguei. Fiquei mudo e novamente todo bobo. Disse que havia perdido, que era meio desastrado e tolo assim mesmo. Para minha completa surpresa tu sorristes. Fez charme, mexeu no cabelo, segurou meu antebraço e fechou os olhos - ainda rindo - por alguns segundos. Naquele momento, com o vento e destino ao meu favor, veio teu cheiro e teu gosto em mim. Naquele momento, foi quando me perdi, foi quando tudo se perdeu.

Depois daquele dia em que você me chamou para um encontro e me pagou uma cerveja - "que mulher mais macho é essa?" - eu já sabia que não tinha volta. Eu era só um idiota que cursava o segundo ano de letras e você era a formanda de sociologia. Não havia garota mais determinada que você e nenhuma tão atrevida quanto.

Tu me olhastes curiosa quando chorei vendo teu filme favorito "Antes que termine o dia", eu me surpreendi por não chorar. Tu me disseste que não chora assim não, só gosta do filme porque te dá uma "agonia". Ri entre lágrimas e te beijei assim mesmo. Depois de um tempo aprendi que você gostava de poesia, mas nada te comovia. E eu era sempre o sentimental da relação. Fui eu quem primeiro disse "eu te amo", você apenas me retribuiu com um beijo. Fiquei louco por algumas semanas, pensei em terminar, diria que não sou forte para essa relação, que eu queria alguém sentimental e que me dissesse eu te amo também. Mas, uma semana depois, me chamou pra tua cama e disse-me em meio a todo o calor do momento: "não sou mulherzinha de dizer eu te amo, mas não há ninguém que me faça mais sentido do que você".

Tu me pegou pelos olhos que comem qualquer coisa que prenda tua atenção. Tu me teve desde o dia que disse: "Eight days a week - The beatles é minha canção para você". Tu me teve quando me escreveu um livro de 100 páginas sobre você, para eu chegar na última página e ler um conto tão romântico que pôs qualquer escritor de lado. E com essas 100 páginas me fez ver que eu não sei nada sobre você. Tu me teve com tua cara de séria, mas principalmente na tua primeira risada, a mais infantil de todas. Me teve quando a vi menina, mais menina que mulher. Me teve quando a vi querendo fazer revolta pelo movimento "segregacionista" que começou a se formar na faculdade. Tu me teve quando dissestes ficar louca quando tô de óculos, camisa xadez, allstar e violão. Tu me teve quando me escreveu estórias de puro romance e erotismo. Tu me teve quando dissestes que eu deveria ser escritor, porque você acha isso muito atraente.  Tu me teve naquele dia que veio caminhando até mim...

E hoje, tu me vens, me beija por petulância e pede que eu cante eight days a week para ti. Eu sou teu, mulher. Eu sou teu por aprisionamento, por rendição. Sou teu porque não sei não ser. Sou teu porque aceitei o fato de eu ser bobo, e de que, nesta relação sou eu o sentimental, sou eu a parte feminina dos relacionamentos. Porque sou eu quem chora vendo filmes de romance, sou eu quem liga para saber como está e sou eu quem está nas tuas mãos. Mulher, sou teu, por puro prazer. Mulher, porque você me faz homem como ninguém.

"Hold me, love me. I ain't got nothin' but love, babe. Eight days a week I love you.
Love you everyday girl, always on my mind. One thing I can say, girl: Love you all the time."


Deixa eu brincar de ser feliz.

Você riu da primeira vez que cai perto de você. Eu sorri, mais por constrangimento do que por graça. Fiquei toda vermelha por debaixo das minhas bochechas morenas e você riu até ficar vermelho na sua pele branca. E depois me veio com a ideia de andar de patins. Quis perguntar se era louco, dado o meu desastre ao andar, mas quis mostrar que era forte. Você pôs meus pés 35 dentro daquele patins masculino - provavelmente 40. E eu fui toda determinada a alcançar tua mão antes que caísse, achei que você deixaria isso acontecer, mas me firmou. E ficava rindo sempre que me equilibrava, eu tentava não ficar mais morena de tão vermelha. 

Você riu no nosso primeiro encontro - como namorados oficialmente - quando, ao entrarmos juntos na escada rolante, eu desequilibrei. Você riu tanto que as outras pessoas olharam, mas eu ri junto e dei de ombros. Você já sabia do desastre que eu era. Aí você me leva àquele restaurante, à meia luz e bastante aconchegante, mas meio caro, só porque era novo e estava na moda. Eu estava de calça jeans, allstar e blusão de frio vermelho. Não podia estar mais simples ou desarrumada. E você riu quando expressei isso em voz alta, me fez olhar para o allstar - verde musgo- que estava nos seus pés, me disse que eu estava linda e que provavelmente não havia nenhum casal tão sincronizados como nós ali.

Você riu quando eu falei em voz alta o que pensava. Você riu pela desordem que eu era. Você também riu das minhas teorias e provavelmente ria de tudo o que eu falava. Você ria da formo como eu caminhava, concentrada para não cair, e da forma como comia. Você ria da maníaca que eu sempre fui e com o tempo se alinhou à todas elas, sabendo que, comida no prato não se mistura e devem estar disposta em uma certa posição. 

E eu que nunca fui de rir, com exceção dos risos de conveniência em jantares em família, acostumei-me a isso. Ria sempre, de você, com você, por você. Eu ria quando acordava, quando te via e quando nos falávamos. Até que me considerei dona da música "Todo carnaval tem seu fim", vivia colocando a mão no meu nariz de bolinha e cantando "deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz".

E você um dia me veio como naquela música do Pato Fu - uma das poucas bandas que não concordava comigo - "desculpe, mas vou te fazer chorar". E eu chorei, chorei pelos anos que lágrimas se solidificaram no peito ou se transubstanciaram em sorrisos. Lágrimas que até tinha desconhecido do que são feitas....de pura dor.

Agora, devo dizer, que não vou mais chorar. Não vais mais me fazer chorar. Desculpe, meu bem, mas não quero mais. Depois de tantos risos, chorar não foi legal. Então não me faça mais rir, se depois eu vou chorar. E eu não vou mais rir de você e/ou com você. É uma promessa. Mas, aí eu te vejo....

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Sobre sentir saudade, missing you e te extrañar.

Eu tenho que confessar, ferindo todo o meu orgulho, vaidade e amor próprio, que me mato de saudades suas. Eu não morro porque é proposital, eu me mato mesmo. Me mato ao pensar em você enquanto escuto "50 receitas" e bebo coca-cola. São doses letais. Mas, eu sinto sua falta, mais do que isso, eu sinto saudades.
Pensei em escrever em inglês, porque com teu jeito ignorante de rejeitar a educação não sabe outra língua a não ser a língua mãe - que, sem economizar na acidez, teu português é péssimo. Mas ficava a lacuna do "I miss you", porque isso não tem uma gota do mar que cabe em saudade. Então, esnobando-o ainda mais, pensei no espanhol, porém voltei ao mesmo problema "te extraño" não é saudade.
Que saudade é essa que sinto de ti? Deveria ser simplificada e facilmente descrita por I miss you. No entanto, é saudade. Saudade rasgada, cortada, que vem do peito,desce em lágrimas pelos olhos e morre na boca. Fico com a boca seca por beber tantas lágrimas salgadas. 
Eu sinto uma raiva imensa de você, tanto é que tô rasgando tuas fotos. Como uma daquelas adolescentes ridículas ao término do primeiro namoro. Fico em descrédito comigo mesma, ponho em cheque todos os anos de mulher-madura-com-ar-de-30. Me faço com 14 anos e um namoro platônico. Só por raiva. Só por descontrole. E nossa história dura muita mais do que primeiro namoro. Foi primeiro tudo. Tu fostes o primeiro amigo de uma menina, fostes o primeiro namorado e mais que isso. Se gruda nas minhas memórias e se prende a tudo que gosto. Meu primeiro contato corpo-a-corpo é teu. E tu finges que não fostes. 
Eu só tô esperando você voltar para poder dizer que já é tarde. Engolir a saudade e arrotar meu orgulho - e, se eu conseguir, uma dose de amor próprio. Porque sentir saudades assim é desumano. E você merece sentir arrependimento.
Só te peço que não me venhas recitando um quote do meu livro preferido, nem de camisa surrada, allstar - e, imploro que não o faça - sorriso de lado. Se o fizer tu sabes que me quebra no meio. Me reparte em duas, e na bagunça da divisão, escolho você ao meu amor. Mas, você é o meu amor, e que se dane o próprio. 
Então, em português e desprezando algumas regras, digo que tô com saudades. Dê um alô às três da manhã, me pegue de surpresa na porta do trabalho, mas, mate a saudade enquanto ela não me mata, eeer, enquanto não me mato. Eu prometo ser leve e dizer I miss you, ou te extraño, para não carregar demais o "tô com saudades" e não acabar entregando tudo que sinto.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Entre extremos

É desse equilíbrio que tanto falam que nos faltou. Dessa harmonia entre diferentes notas musicais. Porque você e eu nunca tivemos saída. 8 e 80. Princípio e fim. Vivemos de extremos como se isso fosse o certo. Ou no alto do penhasco, ou rastejando no chão. Não sabíamos ser mornos ou frios, éramos quentes ou congelados.  Sempre atrasados ou adiantados demais. Nunca nos ajustamos para estar no tempo certo....Tempo, sabemos bem que fomos reféns dele. Éramos antíteses de nós mesmo. Vivemos desafiando a gravidade, sempre prestes a cair, sempre tendendo mais para um lado do que o outro. Ou harpa ou guitarra. Nunca procuramos a afinidade em nenhuma dessas coisas, nenhum acordo, nenhum acorde, nunca nos equilibramos, nunca harmônica, nunca sinfônica. Éramos bambos, tortos, assimétricos. Desfigurados, desmedidos, descuidados. Instáveis como bomba e balão, sempre prestes a explodir. E agora que se se desata nossos nós, que se desata nós, que se arrebenta nosso laço, eu me arrebento e perco esse equilíbrio com que caminhava e que nunca tive.

domingo, 14 de agosto de 2011

À quem primeiro me amou,


Pai,
de todas as coisas que eu poderia aprender com você, aprendi a aprender. Além do amor e de amar, você me ensinou a aprender. Me ensinou significações.
Amor, foi a primeira coisa que aprendi. E foi tão simples essa lição que aprendi a amar. O significado de amor se entrelaça na nossa relação. E eu aprendi por receber todos os dias isso de você.
Coragem, você sempre soube da grande medrosa que eu era. Sempre soube da minha covardia escancarada, mas você me deu tua mão. Você me segurou, me firmou e quando eu estava em queda livre, me ajudou a levantar. Com minhas mãos na tua, aprendi o que é ter coragem para desafiar o mundo.
Confiança, é o que tenho com você. Eu sei que em quantas vezes eu partir, em cada volta minha, eu vou ter teu abraço pra voltar. Sem olhos críticos ou palavras de repreensão, vai me abraçar e simplesmente sorrir por eu ter voltado. Eu confio que teu abraço sempre vai me esperar. Porque você me deu confiança, em todas vezes que fui, nas mesmas que voltei. Porque você confia em mim. É você que me disse “eu sou mais você” enquanto nem eu sabia ser… eu.
Sabedoria, é essa coisa que transborda dos teus olhos acompanhando tua boca quando fala. Porque eu posso ler todos os livros do mundo, mas nenhum deles me dará sabedoria, eu só terei conhecimento. Porque olhar em teus olhos é ver que todas as respostas do mundo residem ali. Você que foi meu primeiro - e melhor- professor. Queria saber como você faz para ser tão sábio, deve ser coisa de pai.
Pai, o orgulho é talvez o único sentimento que se aproxime do amor que tenho por você. Porque não há filha no mundo que se orgulhe mais do que eu por tê-lo como pai. Você, que é o homem mais justo, mais honesto e o melhor que eu já conheci. É o homem que eu mais amo, e a pessoa que eu mais me importaria de perder. Você sabe que se eu tivesse que escolher outra forma de ser eu seria você.
Eu posso ver por teus passos lentos e calmos que já percorreu uma grande estrada para chegar até aqui, mas são esses mesmos passos que mostram a sua “não-pressa” de viver. E que se caminha assim o faz porque sabe que ainda há mais para caminhar.
Se eu quase não o vi chorar, não foi porque lágrimas são sinais de fraqueza, mas porque estas se fizeram desnecessárias diante o tamanho da sua luta.
Obrigada por todas as vezes que me corrigiu, que me acolheu e que zelou por mim. Obrigada por me fazer acreditar que todo o amor do mundo reside aqui em casa. Obrigada por ser a minha referência, por ser quem mais admiro e mais amo. Obrigada por eu poder bater no peito e chamá-lo de MEU PAI. Você que é o melhor pai.
Porque ninguém recebeu mais amor do que eu de você. E você sabe que me doi crescer pelo simples fato de que um dia eu terei que me ver sem você. Sem ter o meu papai. 
Eu te amo, mais do que é permitido amar. O amo sem medidas, sem razões e sem porquês. Te amo não só por estarmos condicionados à relação pai-filha, mas porque é impossível não fazê-lo. Te amo pelo simples fato de que te amar é o que me faz feliz.
                                                                            Feliz dia dos pais, à quem                                                                  para sempre amarei e me amarás. 
                                                                                             Paula. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Escreva-me. Um carta com várias páginas, um bilhete curto, um telegrama, uma sms, ou uma mensagem instantânea em qualquer rede social. Mande um aviso por um amigo em comum, deixe com o meu porteiro, ligue. Use qualquer forma de comunicação. Eu só tô pedindo para que você dê algum sinal de que ainda se importa, de que ainda vem aqui de vez em quando, ou que ao menos pensa em mim. Eu só quero ter a certeza de que ainda existo para você. Que talvez, em proporção mínima, você sente a minha falta. Eu só tô perguntando, se ainda vens aqui. Ou se estás disposto a vir. Só me diga que você vem e acabe com essa saudade de uma vez. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Você sempre me teve como garantia, como reserva de paixões mal sucedidas. "Tudo bem se esse caso não der certo, ela vai estar a me esperar". E estive, esperando-o por menos do que pude, por mais que me doesse. Estive com sorriso no rosto, feridas no coração, medo nos olhos. Mas ficava esperando-o no portão, com um pedaço de felicidade na boca só para não vê-lo triste. Você sempre me teve como menina, daquelas que um presente perdoa o que tinha para perdoar. E eu sempre aceitei seus presentes de volta; um beijo, uma promessa, um abraço. Mas nunca foi mais que isso. Nunca fui suficiente para incomodá-lo. Teve-me com garantias demais, estava próximo do teu alcance, pronta a te alcançar se se distanciasse. Eu sempre o tive por incerteza, por dúvidas e medos. Nunca soube teus horários de chegada, teus momentos de partida. Sempre esteve indo e vindo, por mais que pudesse ficar, por menos que precisasse.