segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Sobre mortes e suicídios de nós

Não houve falta de amor. Se houve um pecado, talvez tenha sido pelo excesso dele, mas não por falta. Nos amamos demais de uma maneira desmedida, sem grandezas ou diques para nos conter. Você e eu não tivemos grandes alternativas; ou nos entregávamos de vez ao que sentíamos ou morríamos. Triste pensar que, no fim, qualquer uma das opções nos levou até a morte.

Eu sempre gritei de mais e você ficava no seu silêncio escutando. Eu calava e você falava baixinho e apressado para que eu escutasse tudo o que você precisava dizer. Não sabíamos nos comunicar verbalmente. Tentamos a linguagem dos olhos, das mãos, do abraço e dos patéticos corações. Nosso maior erro, meu amor. Foi aí que nos sentenciamos, foi aí que nos suicidamos.

Pulamos juntos do mesmo prédio e caímos diversas vezes no mesmo chão. Seguíamos pelas mesmas estradas sem nunca traçar nossos trajetos; não demos em lugar algum. Afogamos no mesmo mar, mas sempre houve alguma barco para nos salvar. Nos agredimos quando não conseguíamos lidar com tudo isso; ainda assim sobrevivemos.

Foi aquele maldito destino que nos afastou. Você encontrou seu trajeto e eu aprendi a não gritar. O silêncio foi perturbador, eu sei que sim. Ficar perdida sozinha não tem a mesma graça. Não tenho braços para me abrigar ou mãos para segurar as minhas quando o caminho se torna assustador, e tudo por aqui me assombra. Meu amor, nós dois finalmente encontramos a morte. Após tantas quedas, água nos pulmões e arranhões na pele; morremos pela ausência. Nos suicidamos da forma mais sutil e ameaçadora. Matamos o amor.

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