Eu sempre gritei de mais e você ficava no seu silêncio escutando. Eu calava e você falava baixinho e apressado para que eu escutasse tudo o que você precisava dizer. Não sabíamos nos comunicar verbalmente. Tentamos a linguagem dos olhos, das mãos, do abraço e dos
Pulamos juntos do mesmo prédio e caímos diversas vezes no mesmo chão. Seguíamos pelas mesmas estradas sem nunca traçar nossos trajetos; não demos em lugar algum. Afogamos no mesmo mar, mas sempre houve alguma barco para nos salvar. Nos agredimos quando não conseguíamos lidar com tudo isso; ainda assim sobrevivemos.
Foi aquele maldito destino que nos afastou. Você encontrou seu trajeto e eu aprendi a não gritar. O silêncio foi perturbador, eu sei que sim. Ficar perdida sozinha não tem a mesma graça. Não tenho braços para me abrigar ou mãos para segurar as minhas quando o caminho se torna assustador, e tudo por aqui me assombra. Meu amor, nós dois finalmente encontramos a morte. Após tantas quedas, água nos pulmões e arranhões na pele; morremos pela ausência. Nos suicidamos da forma mais sutil e ameaçadora. Matamos o amor.
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