Hoje é noite estrelada e sei que temos uma encontro na cobertura da torre mais alta da cidade. No meu vestido vermelho, te espero sentada no chão, ainda que eu esteja com roupa de gala. Bebo um uísque, fumo dois cigarros e não me importo se essa falta de compostura não combina com a ocasião. Até mesmo bailarinas descem das pontas, às vezes. Você chega de smoking, sapato engraxado e cabelo de lado, bem alinhado. Puxa-me em um só golpe para que eu caia em seus braços; você, o melhor de todos os precipícios dos quais pulei.
Sem música ou convite, fazemos o que resta a fazer: dançamos um tango argentino. O corpo fala por nós e os movimentos são poucos singelos. Hoje também é nossa última dança e, contudo, é a mais bela; seja por nos empenharmos por ser o fim, ou porque é triste. Sabemos que a tristeza é cenário para todos aquelas filmes que costumávamos ver, por isso são tão bons.
Eu vou cair do prédio mais alto da cidade, porque seus braços não vão mais me alcançar. Mas, por enquanto, só me resta dançar o último tango argentino.
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