domingo, 30 de outubro de 2011

Você bem sabe que eu não sou romântica, mas adoeço de amor. Que odeio dias de sol, mas nunca saio da cama nos dias de chuva. Que não como qualquer coisa, mas estou sempre com fome. Que eu adoro música, mas não escuto nada além de rock. Odeio gente de mau humor, mas vivo sem sorrir. E nada disso nunca te incomodou.

Eu bem sei que você não gosta dos Beatles, mas sabe a letra das músicas melhor que eu. Que você diz não sentir ciúmes, mas escondeu de mim aquela blusa com decote. Que você não gosta de sair de casa, mas sempre que está ensolarado você quer ir ao parque. Que você odeia filmes, mas chora com todos eles. E isso nunca me incomodou.

A gente vai se anulando e tudo bem se no final não tivermos nada em comum.  Pelo menos não vou acabar odiando todas as coisas que gostávamos de fazer juntos. E eu até me disponho a te entender, quando na verdade, eu me perco em toda essa confusão. Fazer todas essas coisas em que nos opomos, me tira do tédio e eu bem gosto de quebrar a rotina.

Eu arranho suas costas e respiro fundo em seus ouvidos porque sei que isso o perturba. Você puxa meus cabelos e aperta os meus braços porque sabe que gosto de suavidade. E em todas essas coisas descobrimos que é assim a melhor forma de nos amar. Sem toda aquela cautela de amantes que pouco se conhecem, fazemos o que queremos e assim adentramos ao que há de mais profundo em cada um.

De todos os que já se atreveram a me amar, nenhum nunca soube como me tirar a paz. E no fim, acabávamos sentados em um fim de tarde, no banco da praça, sem nada por dizer. Saíamos da relação, cada qual com metade da paz e um amontoado de verdades que nunca dissemos. E nunca me doeu esses términos. Mas, daí vem você e se arrisca a dizer que aquele escritor que tanto gosto só sabe escrever coisas que sejam do senso comum.

Você também disse que nunca gostou do meu cabelo preso, nem mesmo da minha mania de comer as unhas. E aí sinto que a sinceridade consumiu a paz e entro em guerra comigo mesma. Evito olhar os dedos pra não cair em tentação e quase me esqueço de não prender os cabelos. Mas daí fico do teu lado e como minha unha logo após de enrolar meu cabelo em um coque desarrumado. E você na verdade me olha rindo e diz que tudo o que mais odeia acabou por se tornar o que mais gosta em mim. Te olho confusa e percebo que aquela sua falha na sobrancelha que tanto me intriga é na verdade a marca que mais gosto em ti.





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