Tu veio caminhando com aquele estilo "alternativo", perguntastes meu nome e me passou teu número. Fiquei com cara de bobo, como qualquer homem ou moleque ficaria. Tu com teu 1,70m de altura, um corpão e um cabelo castanho pouco abaixo dos ombros, veio até mim e me deu teu número.
Não liguei no primeiro dia por pura covardia. Mulheres como você não ficam com caras como eu. Meus amigos ainda ajudaram, dizendo que deveria ser alguma brincadeira de mal gosto, algum trote. Não liguei. Tu me apareces na segunda semana e vem toda brava me perguntando porque eu não liguei. Fiquei mudo e novamente todo bobo. Disse que havia perdido, que era meio desastrado e tolo assim mesmo. Para minha completa surpresa tu sorristes. Fez charme, mexeu no cabelo, segurou meu antebraço e fechou os olhos - ainda rindo - por alguns segundos. Naquele momento, com o vento e destino ao meu favor, veio teu cheiro e teu gosto em mim. Naquele momento, foi quando me perdi, foi quando tudo se perdeu.
Depois daquele dia em que você me chamou para um encontro e me pagou uma cerveja - "que mulher mais macho é essa?" - eu já sabia que não tinha volta. Eu era só um idiota que cursava o segundo ano de letras e você era a formanda de sociologia. Não havia garota mais determinada que você e nenhuma tão atrevida quanto.
Tu me olhastes curiosa quando chorei vendo teu filme favorito "Antes que termine o dia", eu me surpreendi por não chorar. Tu me disseste que não chora assim não, só gosta do filme porque te dá uma "agonia". Ri entre lágrimas e te beijei assim mesmo. Depois de um tempo aprendi que você gostava de poesia, mas nada te comovia. E eu era sempre o sentimental da relação. Fui eu quem primeiro disse "eu te amo", você apenas me retribuiu com um beijo. Fiquei louco por algumas semanas, pensei em terminar, diria que não sou forte para essa relação, que eu queria alguém sentimental e que me dissesse eu te amo também. Mas, uma semana depois, me chamou pra tua cama e disse-me em meio a todo o calor do momento: "não sou mulherzinha de dizer eu te amo, mas não há ninguém que me faça mais sentido do que você".
Tu me pegou pelos olhos que comem qualquer coisa que prenda tua atenção. Tu me teve desde o dia que disse: "Eight days a week - The beatles é minha canção para você". Tu me teve quando me escreveu um livro de 100 páginas sobre você, para eu chegar na última página e ler um conto tão romântico que pôs qualquer escritor de lado. E com essas 100 páginas me fez ver que eu não sei nada sobre você. Tu me teve com tua cara de séria, mas principalmente na tua primeira risada, a mais infantil de todas. Me teve quando a vi menina, mais menina que mulher. Me teve quando a vi querendo fazer revolta pelo movimento "segregacionista" que começou a se formar na faculdade. Tu me teve quando dissestes ficar louca quando tô de óculos, camisa xadez, allstar e violão. Tu me teve quando me escreveu estórias de puro romance e erotismo. Tu me teve quando dissestes que eu deveria ser escritor, porque você acha isso muito atraente. Tu me teve naquele dia que veio caminhando até mim...
E hoje, tu me vens, me beija por petulância e pede que eu cante eight days a week para ti. Eu sou teu, mulher. Eu sou teu por aprisionamento, por rendição. Sou teu porque não sei não ser. Sou teu porque aceitei o fato de eu ser bobo, e de que, nesta relação sou eu o sentimental, sou eu a parte feminina dos relacionamentos. Porque sou eu quem chora vendo filmes de romance, sou eu quem liga para saber como está e sou eu quem está nas tuas mãos. Mulher, sou teu, por puro prazer. Mulher, porque você me faz homem como ninguém.
"Hold me, love me. I ain't got nothin' but love, babe. Eight days a week I love you.
Love you everyday girl, always on my mind. One thing I can say, girl: Love you all the time."

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