domingo, 28 de agosto de 2011

Estórias silenciadas, mas vividas mentalmente.







Viemos nesse jogo perfeito desde março ou abril, não sei. Nesse jogo pouco maduro e expositor, houve troca de olhares, conversas ambíguas, indiretas perfeitamente direta se analisadas de trás para frente. Tu, menino, tão mais novo que eu, por um ano apenas, se fez muito mais homem do que muitos dos de 20 e poucos que conheço por aí.
No dia-a-dia, tu me vinha sempre ao contrário. Se tava triste vinha sorrindo, se queria afago me fazia afastar, se queria proximidade me agredia. E eu te agredia com palavras e fisicamente. Estúpida de mim pensar que, embora com teu corpo extremamente magro, eu seria mais forte que você. Sempre virava a luta ao teu favor, me torcendo os braços e fazendo com que eu batesse em mim. Quanta raiva sentia de ti, e tu sorrias e dizia "ah, você se bate e eu que sou culpado?". Eu tinha que rir também, ficava brava com você poucas vezes.
Ficava brava quando vinha contando que tava de caso novo. Como assim ousava trair nossa relação? Que relação? Nossa brincadeira de querer com os olhos e manter essa vontade silenciada. Acho que tu contavas os detalhes para que eu sentisse raiva, que eu o odiasse e declarasse fim de jogo, aceitando a derrota. Pois, seria derrota se eu verbalizasse primeiro que queria, queria sim. Que eu gostava.
Não falei. Entrei de cara no jogo e fui vencendo. Dizia sorrindo, dissimulada e morrendo por dentro, que tomara que desse certo teu novo caso. Com a guria de outras histórias, com aquela da festa de outro dia, com a nova que conheceu. E sempre sorria, profunda e aliviadamente, quando seus casos não chegavam nem há um mês. Egoísmo meu, não nego. Não queria perder o jogo, nem tampouco te perder.
E tu me surpreendia todo dia. Sou assim boba mesmo, que se surpreende com obviedades. Como quando lembrei-me que não gostavas de pão de queijo, mesmo que houvesse dito apenas uma vez, e tu me olhou sorrindo e disse "você lembrou", meio impressionado por eu me lembrar de uma coisa tão idiota. E isso me surpreendeu, que você reparasse justamente nisso. Eu me surpreendia por quase tudo. Mesmo sabendo que do nosso grupo era o que tinha maior probabilidade, fiquei boba quando nos deixou porque conquistara aquilo que todos estamos (ainda) buscando. E eu sabia que você nos deixaria antes, tentei ganhar o jogo até lá. mas, a partir de um dia o jogo parou de fazer sentido. Comecei a perder ao ver que gostava demais daquilo, que queria que sacasse o que eu escondia e que ganhasse o jogo. Daí você saiu e ficamos no 0x0.
Eu deveria ter te intimado aquele dia que saímos juntos. Que ficamos cara a cara, cada um com uma coca e falando sobre o que gostávamos. Deveria ter te prendido na parede, de roubado um beijo e saído em seguida sem falar nada, que era pra eu não perder o jogo. Ou até mesmo naquela galeria de arte, te roubado por um tempo, e antes que alguém desse nossa falta, teríamos entregado o jogo. Ou deveria ter aceitado a derrota e dito que tu me atraia. Mesmo sendo menino e eu mais velha que tu. Porque tu era bem humorado.
Não foi justo hoje vir com tua carência enquanto eu curtia a minha. Conversas de madrugadas nunca são uma boa, sabia disso, mas arrisquei pelo gosto do proibido. E tu me entregou o que não deveria, eu falei o que não pudia. E fui eu quem primeiro perdeu, de forma proposital, porque não queria ser tão covarde quanto você.
A conversa terminou numa boa, mas ainda indefinidos, transitivos. Ficou acertado que tu é números e eu palavras. Que continuasse tua nova história e que minha vida se acertasse.  Que fique por acontecer, ou pelo que podia ser, porque foi bom de se viver até aqui. Que fique com a possibilidade do acaso. No entanto, resgatando aqueles sentimentos do primeiro semestre, que teu caso não dê certo e que tu venha acertar minha vida. Mas, venha rápido.

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