segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Entre extremos

É desse equilíbrio que tanto falam que nos faltou. Dessa harmonia entre diferentes notas musicais. Porque você e eu nunca tivemos saída. 8 e 80. Princípio e fim. Vivemos de extremos como se isso fosse o certo. Ou no alto do penhasco, ou rastejando no chão. Não sabíamos ser mornos ou frios, éramos quentes ou congelados.  Sempre atrasados ou adiantados demais. Nunca nos ajustamos para estar no tempo certo....Tempo, sabemos bem que fomos reféns dele. Éramos antíteses de nós mesmo. Vivemos desafiando a gravidade, sempre prestes a cair, sempre tendendo mais para um lado do que o outro. Ou harpa ou guitarra. Nunca procuramos a afinidade em nenhuma dessas coisas, nenhum acordo, nenhum acorde, nunca nos equilibramos, nunca harmônica, nunca sinfônica. Éramos bambos, tortos, assimétricos. Desfigurados, desmedidos, descuidados. Instáveis como bomba e balão, sempre prestes a explodir. E agora que se se desata nossos nós, que se desata nós, que se arrebenta nosso laço, eu me arrebento e perco esse equilíbrio com que caminhava e que nunca tive.

Nenhum comentário:

Postar um comentário