sábado, 20 de agosto de 2011

Deixa eu brincar de ser feliz.

Você riu da primeira vez que cai perto de você. Eu sorri, mais por constrangimento do que por graça. Fiquei toda vermelha por debaixo das minhas bochechas morenas e você riu até ficar vermelho na sua pele branca. E depois me veio com a ideia de andar de patins. Quis perguntar se era louco, dado o meu desastre ao andar, mas quis mostrar que era forte. Você pôs meus pés 35 dentro daquele patins masculino - provavelmente 40. E eu fui toda determinada a alcançar tua mão antes que caísse, achei que você deixaria isso acontecer, mas me firmou. E ficava rindo sempre que me equilibrava, eu tentava não ficar mais morena de tão vermelha. 

Você riu no nosso primeiro encontro - como namorados oficialmente - quando, ao entrarmos juntos na escada rolante, eu desequilibrei. Você riu tanto que as outras pessoas olharam, mas eu ri junto e dei de ombros. Você já sabia do desastre que eu era. Aí você me leva àquele restaurante, à meia luz e bastante aconchegante, mas meio caro, só porque era novo e estava na moda. Eu estava de calça jeans, allstar e blusão de frio vermelho. Não podia estar mais simples ou desarrumada. E você riu quando expressei isso em voz alta, me fez olhar para o allstar - verde musgo- que estava nos seus pés, me disse que eu estava linda e que provavelmente não havia nenhum casal tão sincronizados como nós ali.

Você riu quando eu falei em voz alta o que pensava. Você riu pela desordem que eu era. Você também riu das minhas teorias e provavelmente ria de tudo o que eu falava. Você ria da formo como eu caminhava, concentrada para não cair, e da forma como comia. Você ria da maníaca que eu sempre fui e com o tempo se alinhou à todas elas, sabendo que, comida no prato não se mistura e devem estar disposta em uma certa posição. 

E eu que nunca fui de rir, com exceção dos risos de conveniência em jantares em família, acostumei-me a isso. Ria sempre, de você, com você, por você. Eu ria quando acordava, quando te via e quando nos falávamos. Até que me considerei dona da música "Todo carnaval tem seu fim", vivia colocando a mão no meu nariz de bolinha e cantando "deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz".

E você um dia me veio como naquela música do Pato Fu - uma das poucas bandas que não concordava comigo - "desculpe, mas vou te fazer chorar". E eu chorei, chorei pelos anos que lágrimas se solidificaram no peito ou se transubstanciaram em sorrisos. Lágrimas que até tinha desconhecido do que são feitas....de pura dor.

Agora, devo dizer, que não vou mais chorar. Não vais mais me fazer chorar. Desculpe, meu bem, mas não quero mais. Depois de tantos risos, chorar não foi legal. Então não me faça mais rir, se depois eu vou chorar. E eu não vou mais rir de você e/ou com você. É uma promessa. Mas, aí eu te vejo....

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