sexta-feira, 8 de julho de 2011
Me empresta teu peito, meu menino, que está dor não cabe mais só no meu. Me empresta também teu abraço, me envolva e afaste de mim esta sensação de vazio. Me traz outra dose deste teu amor, que o desafeto vem outra vez me devorando. Deveria estar saciada, mas este vazio é mais voraz que qualquer outra coisa que me habite. Este vazio me preenche, e se não tiver ninguém para me aplicar antídoto, eu me entrego, como a fraca que sou. Ainda bem que eu sempre caibo neste teu abraço, mesmo agora, me sentindo tão pequena, eu caibo neste espaço entre teus braços. Encaixo-me como nunca coube em nenhum outro lugar. Traga-me com teu corpo os anticorpos desta dor. Esta minha ferida está na carne viva, como sempre, só que desta vez tá sangrando mais. Ainda bem, meu menino, que você sabe tocá-las. Sabe tocá-las sem ser superficialmente, enfia teu dedo e fere ainda mais, arranca-me desta dormência que o vazio traz. Me traz dor que me traz de volta a superfície, que me lembra que sou viva, apesar de tudo, estou viva. Rompe com esta minha paz maquiada, este meu estado de não-existência. Ninguém mais sabe me juntar quando me torno pó diante água e vento, mas você o faz. Deixe-me te fazer de abrigo, meu menino, abriga-me com minha dores, meus medos, meus momentos de insanidade. Sinto que estou desmanchando, mas, meu menino, é em tuas mãos que o faço. Eu sinto que estou caindo, me dê seus pés para que eu caia sobre eles. Não sei se posso, meu menino, mas minha carne habituou-se à tua, então deixe-me habitar em ti, para que eu não pereça em qualquer lugar. Que minhas mãos envolva cada parte do teu corpo, para que eu tenha com o que preenchê-las, para que elas não me inflijam mais dor. Me faça derreter, porque tenho tornado este gelo de constante solidão. Solidão de mim mesma, de quem fui, de quem quero ser. Escancare tudo isto que tô ocultando, porque sabes que é isto que me entorpece, essa minha mania de esconder quem sou. Meu menino, eu só tô pedindo um pedaço do teu coração, para colocar no vazio do meu. Eu nunca soube ser suficiente, mas com você aqui, pelo menos eu não fico tão vazia.
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