domingo, 26 de junho de 2011
Quebrar-se
Desta vez não vou me quebrar. Custou-me muito me reintegrar. Não, desta vez não me quebro. Quebrei a cara, o peito, os braços, o coração, quebrei-me e ficastes inteiro. Não vou te dizer para quebrares, só digo que desta vez eu não me quebro. Sigo inteira - pela metade, na verdade- mas, uma metade inteira. Cansei de ter que sair me juntando, me colando, vivendo de fitas adesivas e band-aids. Já fui colada demais, colada a ti, colada aos pedaços. Tô regenerando, cicatrizes ficam, é claro. Mas aos poucos a gente acostuma, e acaba por fazer parte, como um lembrete de alguma história, como as cicatrizes infantis nos lembram dos nossos tombos. Mas sigo inteira, como um dia eu fui. Estranha-me pensar que já fui inteira, nem me lembro quando, mas fui. Quebrei-me tantas vezes que nem sei como sou eu inteira, sem pedaços. Mas tô colada, não sou inquebrável, mas acredito que fiquei mais resistente. Permito-me até jogar-me no chão, bater contra a parede, cair da cama. Me quero inteira, na minha metade, mas inteira.
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