terça-feira, 28 de junho de 2011

Pesa, pesa muito.

Não, eu não perdoo. Não perdoo tua ausência, teu silêncio, teu desamor. Eu não vou perdoar o que ficou para perdoar, não quero, não vou. Se se importasse terias feito tudo para que não chegássemos a esse ponto, em que eu te perdoo e você segue leve, carregado pelo vento. Não me venha pedir perdão dizendo que o amor é assim, não vou perdoá-lo por teres encontrado alguém que amas mais. Não te perdoo, porque não posso. Não penses que seguirá limpo, não deixarei que vás assim, tão sereno. Eu te sujo com teu próprio pecado, eu te afundo com tuas promessas não cumpridas, eu te corto com tuas palavras de adeus. Se pensastes que eu o deixaria seguir, que colocaria-me culpada e te daria o perdão, não o farei, meu bem. Tens sido difícil para mim, tudo o que fizestes, este novo amor seu, tens sido difícil, porque deveria eu facilitar para você? Tome, esta dor é mais tua do que minha, não fui eu quem a quis, não fui eu quem a provoquei, eu só a provei. Leve-a e verás o quanto pesa, o quanto afunda-me. Que te atormentes eternamente o meu não-perdão, a minha não absolvição. Te quis, e ainda te quereria se não fostes tão sujo com teu pecado. Agora vai, me deixa, me deixa sem tua mala de desamor que ela não me pertence. Carregue-a por onde for, porque aqui ela não vai ocupar-me mais espaço, ela vai pesar na tua mão. Vá, com a condenação que tu mesmo te destes... Pequeno engano este seu, achar que te livraria da tua culpa, pequeno erro seu achar que tudo caberia aqui. Guardei muitas coisas; o teu amor, tuas lembranças, teus sorrisos e minha felicidade, não vou me entupir com esta culpa, ela não me pertence. Vai, já é tarde agora.....

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