sexta-feira, 6 de maio de 2011

Menina

Era menina, dessas bem meninas mesmo. Gostava de fazer meninices...
Era menina pois ainda que em um corpo de mulher, se fazia assim. Sorria aquele sorriso infantil, brincava com o próprio cabelo e se distraía em seu próprio mundo. Aliás, distrair era algo que fazia com frequência, se estivesse em um assunto, se pegava a uma palavra e assim aquele assunto era perdido, ou ela percorria mundos imaginários ou mudava subtamente de assunto. Ria sozinha - quase sempre- o que demostrava que era feliz consigo mesma. Ao sorrir, as bochechas não permitiam que os olhos ficassem abertos. Quem a visse de longe chegava a duvidar que falasse sozinha, talvez suspeitassem que tivesse amigos imaginários - o que não seria improvável. Era satisfeita. Seu maior defeito era acostumar-se. Acostumava com tudo, qualquer que fosse a situação a que fosse submetida. Mas era menina, menina moleca, sabe? Que gosta de ser feliz, que mesmo depois de grande, era menina por causa do riso, do conjunto que era, por causa que se surpreendia facilmente com as bobagens da vida. Era menina pois via no palhaço magia que só menina vê. Era menina pois sonhava, sonhava, sonhava e sonhava, e sonhar é o que mais a tornava menina.

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