quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Hell
Para ela era o fim do mundo, de novo. Era como adentrar o próprio inferno, como encontrar-se com o seu próprio interior, face a face com seus próprios demônios. Tudo isto, pela quarta vez. A certo ponto, você se perguntaria se ela já não deveria estar acostumada. A resposta era clara, breve e dura: não. Encarar tudo outra vez, não tornava nada menos doloroso. Talvez houvesse um pouco mais de esperança, mas isto não trazia nenhum alívio para a dor. A esperança que a fazia se segurar para não desmanchar-se, era a de que, se ela estava passando tudo aquilo pela quarta vez, então ela sobrevivera três. O que tornava possível, sobreviver mais uma vez. Já havia tentado de tudo para evitar o inferno. Sofrera demasiado. Culpou-se por isto. Arrependeu-se. Tornou-se gélida, talvez o seu maior erro. Por que quando congelou-se tornou mais fácil perecer diante do fogo. Sabia que se jamais tivesse saído da sua entorpecência, jamais terei passado por tudo isso. Mas não era algo que ela se arrependia, só o fazia, por ter que ser a quarta vez. E ansiava por trazer de volta a sua dormência, aquela sensação de nada. Quando enfrentasse e tudo estivesse acabado, então ela voltaria para lá, sua zona de conforto. Surpreendentemente, foi mais rápido desta vez. Já não sentia vontade de lutar contra, apenas queria o fim. E quando este chegou, foi sem dor. Ela sabia que não teria mais que enfrentar tudo de novo, daquela vez ele havia superado o inferno, todos os demônios foram aniquilados. Ele destruira o inferno, com o próprio fogo. Jurou para si, jamais tornar-se gelo. E desta forma pretendia nunca mais ter que enfrentar o inferno outra vez.
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