sábado, 25 de setembro de 2010

Darling


Tema: confissão 
Gênero: Carta


Goiânia, 28 de julho de 2009.

Meu querido,

Estás bem onde quer que estejas? Espero que sim, pois é o mínimo que tenho esperado. Escrevo-te uma confissão, que talvez de surpreenda, ou talvez não. Saiba que eu preferiria escrever coisas fúteis, falar sobre o quanto eu estou feliz, mas verias nas lacunas desta carta o quão falso seria.  
Confesso que fui eu quem te ligou várias vezes de madrugada e desliguei em seguida, apenas no desejo insano de ouvir sua voz. Confesso que fui eu quem tocou várias vezes sua campainha e não tive coragem de ficar, por isso, de longe olhei você abrindo a porta e não encontrando ninguém. Confesso que te escrevi várias cartas, sem nunca enviá-las.
A maior das confissões, porém, é a que faço agora. Confesso que sempre te amei desde aquele dia em que o vi com uma roupa ridícula e como quem olhava sem olhar. Amei-te desde o primeiro sorriso, desde a primeira palavra e até mesmo a primeira dor. Confesso que nunca lhe disse isso, mas entendas se puder, eu nunca consegui. Confesso que amava quando me chamava de ‘minha querida’
Confesso que no dia em que me deixou, sofri demasiado. Por isso confesso, que todas aquelas palavras frias e duras, dizendo o quanto o desprezava, era apenas para esconder o meu sofrimento. Confesso que, no dia em que me pediu perdão, eu apenas disse não, querendo dizer sim. Demorei a te perdoar, porque eu nunca havia visto tanto arrependimento em seus olhos. E ah, meu querido, como eles estavam lindos!
Meu querido, entenda se puder, eu te amei como se não fosse capaz de amar mais ninguém. Eu te amei todos os dias, a cada encontro e desencontro. Eu te amei por tudo o que sempre foi e por ter sido o único capaz de me amar.
Perdoe-me minhas falhas, os meus defeitos, e principalmente o meu desamor. Perdoe-me por nunca ter lhe falado, nem ao menos demonstrado. Perdoe-me se fui fria, se não o amei como desejou.
Agora meu querido, eu confesso que fui eu a única que te amou tão miseravelmente. Confesso que desde que partiu, tenho vivido me arrependendo por nunca ter lhe confessado tudo isso. Confesso que até sei viver sem você, mas meu querido é só que eu não quero.  E como uma última confissão, quero confessar que sempre te amei, e continuarei te amando por toda a eternidade.

De sua eterna,
Querida.


ps: é só que eu adoro esta redação.

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