sexta-feira, 17 de setembro de 2010

3x4

06h30min, o despertador tocava incessantemente mais uma vez. Era uma sexta-feira, talvez tão apática como as demais. Como de costume, levantei, escovei os dentes, penteei os cabelos e fui para mais um dia infernal de aula. O caminho fora breve, em comparação as aulas se arrastaram pelo tempo. Não me lembro às horas exatamente, mas meu celular vibrara. Abri discretamente o fichário, usando-o como escudo para que pudesse ler a mensagem. Meu coração saltara de repente, mas só eu o escutava. De repente o dia tornara-se vivo. Tudo por causa do que havia naquela mensagem ‘chegarei às 6, vamos conversar?’. O restante do dia se arrastou, e não me lembro de nada que tenha acontecido até encontrá-lo.   
 Sentada ali o tempo pareceu devagar, ou talvez meus batimentos cardíacos que estavam rápidos demais para acompanhá-lo.  Vendo-o ali ao meu lado tudo mudara, o sol se punha lentamente, talvez resistisse para nos acompanhar. Não prestara atenção exatamente na conversa, embora soubesse que deveria. Prestara atenção aos detalhes, à maneira com que falava, articulava. Memorizava os sons, os cheiros, talvez fossem mais importantes. Eu ria, e concordava às vezes para demonstrar atenção. Eu devia estar parecendo uma idiota, pouco me importava.
Ele se levantou, e eu o acompanhei, o caminho fora silencioso. Nenhum de nós arriscou quebrar o silêncio, um erro, e o momento seria perdido para sempre. Chegamos ainda em silêncio à porta da minha casa, sorri por ironia, por nervosismo, ou por qualquer outro sentimento. Eu sentia que meu coração dar pequenos solavancos, pedindo talvez que eu respirasse. A respiração de ambos parecia exaltada, olhei-o mais uma vez, e fora tudo o que vi. No momento seguinte, seus lábios pressionaram os meus apressados, embora delicados. Eram urgentes nos meus, como os meus se tornaram no dele.
Quando me afastei buscando por ar, não consegui respirar. Abracei-o sentindo o coração dele bater, já que o meu se tornara incapaz. Ficamos ali por um tempo. Soltei-o, olhei uma última vez e sai sem nada dizer. Que o silêncio falasse o que não fomos capazes. Hesitei na entrada, tentei encaixar a chave na fechadura com certa dificuldade já que minhas mãos tremiam. Entrei em casa sem nada dizer, deitei em minha cama e coloquei meus fones de ouvido. Fiquei escutando 3x4 do Engenheiros do Hawaii. Não queria contar a ninguém, aquele momento jamais teria a mesma magia ou pertenceria a mais alguém além de nós dois. 

'Diga a verdade ao menos uma vez na vida você se apaixonou pelos meus erros (...)  Somos o que há de melhor, somos o que dá pra fazer... o que não dá pra evitar e não se pode escolher. Se eu tivesse a força que você pensa que eu tenho eu gravaria no metal da minha pele o teu desenho. Feitos um pro outro, feitos pra durar .... Uma luz que não produz sombra (3x4 - EH)

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