
... Depois da noite, onde a Lua me ensinou algo valioso, mas que ainda sim, causou uma certa inquietação, resolvi voltar para a janela, e ver se o dia estava amanhecendo. Eu sabia que não suportaria esperar até à noite para contestar. Chegara a vez, de conversar com o Sol.
Com algumas rajadas alaranjadas colorindo o céu, o Sol bem ao fundo parecia surgir. Observando, vi que as estrelas há muito desapareceram, que o céu aos poucos ia da escuridão à claridade. Com algumas pinceladas, coloridas causadas pelos contrastes das luzes, a Lua parecia estar dissipando, aos poucos escondendo-se talvez do brilho so Sol. Ou talvez, apenas o Sol estivesse ocultando-a porque chegara a hora dela ir.
Sentindo a ansiedade que me consumira durante toda a noite, criei coragem e com um pouco de indiginação reclamei.
-Sol, eu não compreendo!
- O que és incompreensível para ti? O que tanto lhe incomoda, que mal pôde esperar o raiar completo?
- Como pode dizer que ama a Lua, se nem ao menos se encontra com ela? Renega essa amor, para fazer o que sempre faz, iluminar! -indaguei.
Talvez minhas palavras tivesse atingido-o, só talvez. Porque em sua expressão quase enigmática, eu encontrei algumas leves pontadas de dor.
-Eu não renego o que sinto por ela. Talvez continuará sendo incompreensível, se assim quiser. Não julgue, apenas entenda.
" Desde que me tornei, o que hoje sou. Vivo assim, com a promessa desse amor. Desde o princípio eu sabia, que jamais poderia estar com a Lua, sendo quem hoje eu sou.Mas, eu fiz o que ela pediu, e hoje tem seres dependentes de mim. Não posso deixar o egoísmo me consumir, não seria justo. Eu a amo, e amo muito. Por isso, tenho dentro dela, um pouco de mim. A Luz que ela reflete, não é apagada como muitos dizem. Mas, serena, assim como a noite precisa ser. Essa Luz, é a melhor parte de mim, eu entreguei a ela, para que ela pudesse ser assim.
- Quando eu estou de um extremo, ela está do outro. Não podemos nos econtrar, por ser quem eu sou. Mas, quando chego, é porque ela acabara de ir. Vivemos nesse ciclo, eu atrás dela, pelo resto dos dias. Eu pedi que as estrelas, fizessem compahia, porque a noite, trás a sensação de solidão. Mas, eu prometi amá-la e recebi o mesmo em troca . Portanto, vivemos com a promessa de uma amor. O que vale mais, do que tudo. Saber que ela me ama, mesmo que seja inferior ao quanto eu a amo, faz com que minha luz seja cada vez mais radiante. Porque sempre que penso em desistir, eu lembro da sua existência, que é o que mais me importa! Eu não me importaria de jamais tê-la, só a sua existência, me faz viver, e tentar todos os dias ser algo melhor. Ela fez uma escolha a muito tempo atrás, e escolheu sermos opostos.
Não opostos, da forma como julga -fora de sintonia- mas opostos, por ser sempre que eu chego, é sinal de que ela se fora. Somos opostos, porque não estamos juntos. Isso é ser oposto, estar sempre em constante ausência um do outro. Quando eventualmente nos encontramos, o que chamam de eclipse e quando tenho a oportunidade de contemplá-la de frente. Deve saber, que ela é milhões de vezes menor que eu, mas ainda sim, se interpõe entre mim, e tem a capacidade de 'vetar' a minha Luz, deixando apenas algumas faixas estreitas nas bordas que sobressaem.
Isso é inteiramente digno de um fenômeno celeste, não por causa do efeito que causa, e sim por ser quando eu a encontro, quando eu ainda que distante posso tocá-la , sinto aquele olhar se desculpando, por ter escolhido que eu fosse O SOL distante, a ter sido o seu amor mas que estivesse ao seu lado. Isso me fascina. Não sei se será capaz de compreender, embora esse romance seja sofrido, tenho a pretensão de que seja um amor maior, que muitos outros que podem estar juntos. Amamos com mais intensidade, e mais compreensão, que muitos casais, que deixam esse amor acabar, por serem incapazes de compreender, que sempre haverá delimitações, rompimentos, e dor. Mas, quanho há amor, não importa o que lhe impeça de estar junto, há sempre uma forma de amar. Mesmo que as dificuldades sejam grandiosas, pareçam impossível. Amar, não é estar junto, mas sim compartilhar um mesmo sentimento, a mesma dor, a mesma alegria. Eu estou nela, assim como ela está em mim. E será sempre assim, não dá para mudar. E eu sempre vou contemplá-la com o mesmo olhar que a olhei quando me apaixonei. E ela sempre será a Lua, distante, gélida, por quem me apaixonei. Aquela mesma Lua, que se difere em pequenos aspectos de mim. Espero que tenhas se não compreendido, aceitado.
Tenha um bom dia, preciso ir. - falou o Sol por fim.
-Vá, está na hora de iluminar, e reascender a esperança do mundo. O mundo precisa conhecer, o tipo de amor e esperança que vocês transmitem.
Mais uma vez, sentindo-me extremamente, envergonhada voltei ao meu quarto e fui refletir. Havia muitas indagações que queria fazer. Mas não havia necessidade, eu tinha entendido. Amar, não há lógica neste verbo. Mas, há uma infinidades de motivos, que nós faz conjulgá-lo. Com um profundo desejo do meu coração, desejava um amor, não igual ao deles, mas que com proporções menores, me fizessem amar como eles. Eu sabia que não seria fácil. Mas amar, não precisava ser daquele jeito, com a mesma intensidade, eu só precisava amar. Um amor, simples e normal, ainda sim seria amor.
E não me recordo de outra vez, contestar os motivos lógicos do amor.
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